Latam prevê custo de us$ 700 milhões no 2º trimestre com alta de combustível
Apesar de ter fechado os primeiros três meses deste ano com lucro de US$ 576 milhões " ...
Apesar de ter fechado os primeiros três meses deste ano com lucro de US$ 576 milhões " alta de 62% na comparação anual ", o maior de sua história, a Latam Airlines já convive com uma crise aguda. O preço do querosene de aviação (QAV) praticamente dobrou desde o início do conflito no Oriente Médio, e a companhia projeta uma despesa adicional superior a US$ 700 milhões apenas no segundo trimestre.
Para absorver o choque, a Latam já reduziu em até 3% o número de voos programados para junho, revisou a projeção anual para 2026 e não descarta novos cortes de capacidade.
O impacto no primeiro trimestre, estimado em US$ 40 milhões, foi limitado, porque a escalada de preços só se intensificou em março, depois do início da guerra no Irã. O problema, segundo os executivos da companhia, é que boa parte dos bilhetes dos meses seguintes já estava vendida quando a crise explodiu, deixando pouca margem para repassar os custos extras. A partir do segundo trimestre, conforme a volatilidade do barril, essa margem se abre, e o consumidor deve sentir o efeito nas tarifas.
" A gente obviamente enfrenta esse momento de crise bastante aguda no setor de combustíveis com uma mistura de cautela e confiança. Daqui para frente, tudo vai depender de como essa crise e o preço do combustível evoluirão nas próximas semanas, porque aí sim começamos a olhar com mais antecipação para o terceiro e quarto trimestres " disse o CEO da Latam, Jérôme Cadier.
Barril a US$ 170
Diante da volatilidade, a Latam substituiu integralmente o guia de projeções divulgado em dezembro de 2025, que tinha cerca de 15 indicadores, por um conjunto reduzido de quatro metas. A nova projeção trabalha com o preço do barril a US$ 170 no segundo e terceiro trimestres e a US$ 150 no quarto " no fim do ano passado, a cotação de referência era de US$ 90.
Cadier ressaltou que, por ora, os cortes de rotas são pontuais. Ele explicou que não houve cancelamentos significativos por causa do combustível em abril e maio, mas alertou que potenciais ajustes para o terceiro e o quarto trimestres ainda não estão fechados.
A cautela com o impacto nos preços das passagens pode ser explicada também pela lógica operacional. Cancelar um voo para a semana seguinte, quando as aeronaves já estão lotadas, gera mais custo de realocação do que economia de combustível. O vice-presidente de Finanças da Latam, Ricardo Bottas, explicou que cortes eficazes precisam ser feitos com pelo menos três a quatro meses de antecedência.
Outro fator que pressionou os custos foi a valorização do real frente ao dólar. Segundo a Latam, a taxa de câmbio projetada para o Brasil foi revisada de R$ 5,50 para R$ 5,15 por dólar, encarecendo, na conversão, o custo por assento ofertado por quilômetro. Como mais da metade da operação da companhia é no Brasil, o efeito cambial teve peso relevante no balanço.
" Não existe nenhuma implementação de nova estratégia ou aproveitamento desse ambiente. O que existe é uma consistência do que nós vínhamos fazendo e um reconhecimento de que a Latam entrega um produto premium, e isso tem uma proposta de valor que é diferenciada e vem sendo consistente nos últimos trimestres e nos últimos anos " disse Bottas.
Para o segundo trimestre, mesmo com o choque de combustível, a Latam prevê uma margem operacional ajustada de um dígito médio a baixo. A companhia diz que as medidas de gestão de receita, controle de custos, hedge cambial e ajustes de capacidade devem compensar parcialmente o impacto. A aérea ainda não prevê desabastecimento de querosene de aviação nas bases onde opera, mas ressaltou que monitora a situação semanalmente.