Crédito do bndes com taxa menor aumenta 82% de 2023 a 2025
O BNDES quase dobrou o montante de crédito "incentivado", com juros abaixo das taxas de ...
O BNDES quase dobrou o montante de crédito "incentivado", com juros abaixo das taxas de mercado, nos três anos da gestão Aloizio Mercadante, iniciada em 2023.
Os empréstimos mais vantajosos passaram de 19% do total desembolsado naquele ano para 34,5% em 2025, num montante de R$ 58 bilhões " o aumento da participação foi de 82%. Estão incluídas aí linhas tradicionais, como o Plano Safra, e iniciativas da atual gestão, como o BNDES Mais Inovação. Pelo menos mais R$ 50 bilhões podem estar a caminho, com medidas como a reedição do Brasil Soberano, de socorro a empresas atingidas pelo tarifaço dos EUA, e o Move Brasil, para investimentos em caminhões, o que deverá manter a tendência de alta neste quarto ano do terceiro governo Lula.
Tradicionalmente, o crédito do banco era todo com juros abaixo dos de mercado, para viabilizar o financiamento a investimentos numa economia instável. Após excessos do gigantismo do banco nos governos anteriores do PT, a mudança na taxa de referência, a partir de 2018, praticamente acabou com incentivos.
Parte da alta do crédito incentivado de 2023 para cá tem a ver com a gestão Mercadante, que busca aumentar o peso do BNDES na economia. E parte tem a ver com o fato de que o banco opera duas medidas emergenciais lançadas pelo governo.
Uma foi o financiamento para a reconstrução de empresas após enchentes no Rio Grande do Sul, em 2024, com recursos do Fundo Social do pré-sal. A segunda é o Brasil Soberano, lançado em setembro de 2025. Sem as duas linhas, a fatia do crédito incentivado nos desembolsos do BNDES teria subido de 19%, em 2023, para 23%, em 2025, e não os 34,5% informados pelo banco.
Daqui para a frente, o potencial de alta do crédito incentivado supera R$ 50 bilhões: R$ 15 bilhões para a 2ª edição do Brasil Soberano, contemplando também empresas afetadas pela guerra no Oriente Médio; R$ 10 bilhões de orçamento do BNDES Mais Inovação; de R$ 7,5 bilhões a R$ 10 bilhões para o socorro de empresas aéreas; e R$ 21,2 bilhões do Move Brasil.
O avanço no crédito incentivado acende o alerta de economistas que cobram maior equilíbrio nas contas públicas e maior coordenação entre as políticas de gastos do governo e a de juros, a cargo do Banco Central.
" O problema são os sinais. Não há sintonia entre as políticas " disse Alessandra Ribeiro, diretora de Macroeconomia da Tendências Consultoria.
O resultado acaba sendo um aperto maior na política de juros para segurar a inflação.
" Tem sido crescente a busca de atalhos para ampliar os estímulos e manter a economia aquecida, principalmente pelo canal de crédito " disse Gabriel Leal de Barros, economista-chefe da gestora ARX Investimentos. (Vinicius Neder)