Honda tem 1º prejuízo desde 1957 por perdas com elétricos
A Honda anunciou ontem seu primeiro prejuízo operacional desde 1957 diante de uma grande ...
A Honda anunciou ontem seu primeiro prejuízo operacional desde 1957 diante de uma grande reestruturação de sua estratégia de veículos elétricos nos Estados Unidos e também do impacto do tarifaço de Donald Trump. A segunda maior montadora do Japão, atrás apenas da Toyota, teve um resultado negativo de 423,9 bilhões de ienes (cerca de R$ 13,4 bilhões) no ano passado, atribuído, principalmente, a enormes encargos contábeis envolvendo as operações de carros elétricos, cuja demanda ficou abaixo do esperado.
Em março, a Honda anunciou uma mudança de estratégia e cancelou o lançamento e o desenvolvimento de alguns modelos elétricos nos EUA, o que resultou em baixa contábil e outros encargos de US$ 15,7 bilhões (R$ 77,1 bilhões), anunciados ontem.
MENOR COMPETITIVIDADE
A montadora atribuiu a decisão a uma "redução da competitividade" de seus produtos na China e em outros países asiáticos, e a uma "mudança na política governamental" do governo do presidente americano Donald Trump, que eliminou incentivos fiscais para compradores de veículos elétricos e elevou tarifas sobre importações.
A Honda tem enfrentado dificuldades para acompanhar a intensa concorrência e não tinha modelos suficientes para aproveitar a renovada demanda por híbridos a gasolina nos EUA após Trump cortar os subsídios aos 100% elétricos, ao mesmo tempo em que marcas chinesas tomam espaço no mercado global.
A Honda não é a primeira a relatar, nos últimos meses, perdas por apostas nos carros elétricos. Outras montadoras japonesas, como Toyota e Nissan, também enfrentam dificuldades devido, principalmente, à forte concorrência no mercado global de rivais chineses como BYD, GWM e Geely, além de efeitos das políticas tarifárias de Trump.
No fim do ano passado, a Toyota " maior montadora do mundo em produção de veículos " reavaliou sua estratégia e adiou uma fábrica de baterias no Japão diante do recuo da demanda estimada por carros 100% elétricos. Na Europa e nos EUA, Stellantis, Ford, General Motors (GM) e Porsche também anunciaram provisionamentos bilionários para readequar suas estratégias diante da baixa demanda por suas marcas.
Em fevereiro, a Stellantis " dona de Fiat Chrysler, Jeep e Peugeot " viu suas ações despencarem 25% após reportar encargos e baixa contábil de € 22 bilhões (o equivalente a mais de R$ 128 bilhões) como parte de uma guinada estratégica por ter superestimado sua aposta em carros elétricos.
A Ford reportou em janeiro US$ 19,5 bilhões em baixas contábeis envolvendo os negócios de veículos elétricos e a alienação de um joint-venture de baterias. Na GM foram US$ 7,6 bilhões em acordos com fornecedores, taxas de cancelamento de contratos e outras cobranças ligadas à redução da capacidade de fabricação de veículos elétricos. A Porsche, por sua vez, reduziu suas projeções quatro vezes no ano passado ao moderar suas ambições no segmento.