Com neymar à frente, ancelotti aposta na experiência, sem esquecer os mais jovens
bola de segurança
bola de segurança
A convocação de Neymar de certa forma resume o grupo escolhido por Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo de 2026. Ainda com questões pendentes às vésperas da convocação, o italiano apostou nas chamadas "bolas de segurança". A principal delas, o próprio camisa 10 do Santos, que entra para claramente assumir a liderança (não necessariamente dentro de campo) de um grupo cujas principais estrelas até ontem (Raphinha e Vini Jr) não conseguiram justificar esse status.
Mas isso está longe de ser uma notícia ruim para a dupla de Real e Barcelona. Com a presença do jogador mais importante do futebol brasileiro na última década (e um pouco mais) e livres do centro dos holofotes, há forte expectativa de que os dois cresçam.
Neymar não foi a única aposta na experiência, uma marca do grupo: 15 dos 26 chamados disputaram o Mundial do Catar, um recorde no número de veteranos na seleção em Copas neste século.
Outra surpresa da convocação, a presença de Weverton resolve o problema da falta de confiança no goleiros. Com Alisson há dois meses sem atuar e Ederson oscilando, a figura do terceiro arqueiro ganhou importância. E Bento e Hugo Souza, os maiores candidatos à última vaga, vinham colecionando falhas que deixaram o torcedor preocupado " pelo visto, a comissão técnica também.
Aos 38 anos, campeão olímpico em 2016 e presente no Catar-22, Weverton segue tendo atuações seguras pelo Grêmio. Sua presença na lista é compreensível.
Ao assumir o comando, Ancelotti já havia deixado clara a preferência pelos mais experientes, como mostra o retorno de Casemiro em sua primeira convocação " uma decisão acertada. Outros nomes são mais justificados pela experiência do que pela fase atual, como a dupla do Flamengo Danilo-Alex Sandro.
Na defesa e no meio, nenhuma surpresa: Marquinhos e Gabriel Magalhães lideram atrás, e Casemiro e Bruno Guimarães mais à frente. Isso não significa que o italiano fechou os olhos para o "novo". Rendeu-se a Endrick, Danilo (o do Botafogo), Luiz Henrique, Igor Thiago (ainda que este soe uma escolhe precipitada) e Rayan, que cresceram nesta reta final de ciclo " diferente de João Pedro, que acabou ficando de fora justamente por não ter aproveitado as chances dadas e pela queda de rendimento no Chelsea.
O italiano estava com a mente tão aberta a novas ideias que chamou sete atletas pela primeira vez nos amistosos de março, contra França e Croácia. Em condições normais, até seria um sinal de falta de convicção. Mas, neste ciclo tão conturbado e em se tratando de um técnico há apenas um ano no cargo, soa compreensível. E, no fim, pode até dar certo.
Agora é torcer.