Viernes, 22 de Mayo de 2026

Vale a pena um projeto de lei geral

BrasilO Globo, Brasil 22 de mayo de 2026

"O Justa analisa os gastos do sistema de Justiça há muito tempo, procurando entender os mecanismos ...

"O Justa analisa os gastos do sistema de Justiça há muito tempo, procurando entender os mecanismos pelos quais os privilégios são criados e mantidos, mais do que apontar os desvios nos supersalários.
Esses mecanismos se espalham pelos estados. Tem estado que gasta 13% de todo o Orçamento com o sistema de Justiça (além do Poder Judiciário, inclui o Ministério Público e a Defensoria Pública). A aplicação desses recursos precisa dizer respeito às eleições estaduais também e deve ser debatida como tema de serviços públicos. Não se trata de enfraquecer o sistema de Justiça. É porque precisamos fortalecê-lo que devemos encarar esse debate.
A independência funcional e orçamentária dos Poderes acabou se convertendo em uma independência corporativa, que serve a interesses corporativos dos funcionários do sistema de Justiça.
No princípio da separação dos Poderes, cabe ao Executivo propor o Orçamento e ao Legislativo, aprová-lo, mas, todos os anos, o Congresso e as assembleias Brasil afora aprovam dispositivos que permitem ao Executivo remanejar gastos sem passar pelo crivo parlamentar. E todos os anos as instituições do sistema de Justiça recebem créditos adicionais.
Os Executivos não podem seguir remanejando os Orçamentos sem passar pelo Legislativo, e as carreiras jurídicas têm que reafirmar um compromisso com a transparência. Os dados devem ser encarados como debate público e não como ofensa pessoal aos funcionários das carreiras jurídicas.
Os supersalários são resultado de um desenho institucional que não funciona. Para que o limite não vire ficção, tem que estar amarrado a princípios norteadores. O artigo 37 da Constituição Federal, a Lei da Transparência (de 2009) e as regras de separação dos Poderes são suficientes, mas o julgamento recente do Supremo Tribunal Federal (STF) alcança só as carreiras jurídicas.
Vale a pena o próximo governo patrocinar um projeto de lei geral, que foque em três princípios: um teto que funcione efetivamente como limite; pagamentos excepcionais têm que ser de fato indenizatórios, e não remuneração disfarçada; e precisa haver critérios rigorosos de transparência."
LUCIANA ZAFFALON é diretora executiva do centro de pesquisa Justa
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