Gda luma desponta como favorita para assumir o botafogo
chute na crise
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A GDA Luma Capital Management segue a todo vapor como a principal concorrente para se tornar a nova acionista majoritária da SAF do Botafogo. Também há, na mesa do clube social, uma proposta de um fundo de investimento do Texas e outra feita por John Textor, mas a preferência é pela GDA.
Considerada a mais robusta, a oferta da empresa sediada nos Estados Unidos é de aproximadamente R$ 500 milhões, além do pagamento de dívida através da recuperação judicial. A quantia envolve outras questões além de um aporte, que seria feito de forma parcelada. Interlocutores indicam nos bastidores que os moldes são semelhantes ao proposto por Marcos Lamarcchia ao Vasco.
Há, tanto na alta cúpula da SAF quanto no associativo, a preocupação pela manutenção de um projeto esportivo forte e sustentável. Uma fonte ouvida pelo GLOBO afirmou que, nas conversas, os três interessados afirmaram que são capazes disso.
No caso da GDA, a ideia seria, num primeiro momento, investir não só no futebol, mas na estrutura e nas divisões de base.
Trégua facilita acordo
A tendência é que seja convocada uma reunião do Conselho Deliberativo do Botafogo para que o presidente João Paulo Magalhães Lins apresente as três propostas.
Nos bastidores, o que se diz é que o acordo de paz assinado pela Eagle Bidco e pelo clube social facilitou o andamento das conversas com a Luma. O entendimento é que o fim dos conflitos judiciais dá maior segurança jurídica ao novo administrador.
Por meio da Cork Gully, a atual administradora da holding por determinação judicial, a Eagle já deixou claro que não tem interesse em manter negócios no Brasil. A tendência é, então, que a empresa chegue a um acordo para pagar uma certa quantia ao Botafogo e, depois, deixe o caminho livre para a Luma assumir os 90% das ações.
O andamento das conversas indica que a SAF do Botafogo receberá esse valor da Eagle Bidco para pagar as dívidas do transfer ban. A holding, que assume ter uma quantia a pagar ao clube, se beneficiará, pois, com o fim do vínculo, não haverá necessidade de arcar com a dívida que ultrapassa os R$ 2 bilhões.
Liderada pelo mexicano Gabriel de Alba, fundador e sócio-gerente, a GDA Luma Capital Management é uma empresa especializada em "distressed assets" (ativos podres, na tradução livre). O conceito se baseia na aquisição de ativos com problemas financeiros, mas com alto potencial, por valores abaixo do mercado, para posterior reestruturação. Uma das empresas que contaram com investimento da GDA foi o Cirque du Soleil.
Com sedes em Nova York e em Miami, nos Estados Unidos, a GDA possui experiência na reestruturação de empresas nos setores de mídia e entretenimento, telecomunicações, tecnologia, serviços bancários e financeiros, hotelaria e farmacêutico. Até o momento, a empresa não adentrou no ramo esportivo. O início da relação com o Botafogo se deu pelo empréstimo de US$ 25 milhões adquirido por John Textor em fevereiro deste ano. Recentemente, o pedido de recuperação judicial do alvinegro fez com que a dívida com a empresa saltasse para US$ 55 milhões.
Magnata boliviano
Por outro lado, entre os sócios da GDA Luma está o empresário boliviano-americano Marcelo Claure. Homem mais rico da Bolívia, Claure é dono do Bolívar-BOL e coproprietário de Girona-ESP e New York City-EUA. Recentemente, ele falou sobre as negociações entre Botafogo e GDA Luma.
" Por meio de outro fundo de investimentos que possuo, estamos vendo potencial em um time no Brasil. Há um fundo do qual tenho controle e que está bem avançado para salvar esse clube " disse Claure, na semana passada, sem especificar o nome do clube carioca.
Ainda que Claure possa ser um personagem importante, o principal nome da companhia é seu fundador. Com negócios nos Estados Unidos, na Europa e no Canadá, Gabriel de Alba passou 19 anos como CEO e sócio do The Catalyst Capital Group antes de criar sua própria empresa. Em seu currículo, há passagens pelo Bank of America e pela AT&T da América Latina.
Fluente em cinco idiomas (inglês, espanhol, português, alemão e francês), De Alba tem dupla graduação em Finanças e Economia pela NYU Stern School of Business, além de um MBA pela Universidade Columbia e uma pós-graduação em Matemática e Ciência da Computação em Harvard.