Hoje ‘tenho certeza de que voltarei ainda mais forte’
Entrevista
Entrevista
Fora da Copa do Mundo por causa de uma lesão grave no joelho direito, que o tirou de ação em março, Rodrygo ainda é o artilheiro do atual ciclo da seleção brasileira, com oito gols em 22 jogos. Agora, tem se acostumado a ser apenas torcedor. Algo que remete ao vínculo de infância com a "amarelinha", quando sonhava defender o Brasil. Em entrevista ao GLOBO, o atacante do Real Madrid, de 25 anos, relembra momentos marcantes com a seleção e destaca o apoio recebido do técnico Carlo Ancelotti, que foi seu treinador no time espanhol.
Você vestiu a camisa 10 e se tornou artilheiro deste ciclo da seleção. Qual é sua relação com a "amarelinha"?
Seleção brasileira é sinônimo de orgulho. Sinto orgulho por ser brasileiro e torcer por uma seleção que representa a nossa cultura como algo bonito, vencedor, mágico, alegre, unido, batalhador. E sinto um orgulho difícil de traduzir em palavras por vestir a camisa da seleção como jogador. É um orgulho que vem do garoto de Osasco (SP) que vestia a camisa falsa da seleção e sonhava ser jogador profissional.
Que memórias tem de jogos pelo Brasil no país?
Meu primeiro jogo da seleção no estádio foi como torcedor, no 3 a 0 contra o Paraguai na Arena Corinthians (em março de 2017, pelas Eliminatórias da Copa). Antes, a gente não tinha condições de ir. Fui com meu pai e vi que o clima é especial, uma energia diferente, com todas as torcidas dos clubes torcendo juntas pelo mesmo time. É a hora em que todos nós temos as mesmas cores. Quando passei a ter a honra de vestir a "amarelinha", pude receber o carinho da torcida, o que me fez voltar no tempo e lembrar do que eu sentia quando assistia pela TV. A gente quer ver a seleção campeã sempre, mas percebi que a relação de amor do povo não depende só dos títulos. As pessoas querem ser parte, receber um aceno, uma foto, um abraço. Querem ver o ônibus passando e mostrar que estão juntas. O Brasil todo quer a seleção na sua cidade. Sempre tive uma recepção muito linda em Belém, Brasília, Cuiabá, São Paulo, Rio... não importa a região. E isso tudo me leva até a primeira convocação, quando eu corria pela casa com uma camisa falsa do Brasil e o moicano do Neymar, gritando: "Eu vou jogar pela seleção brasileira". Esse sentimento continua sendo o mesmo.
E como torcedor, que vai acompanhar a Copa de fora em função da lesão, de que forma se comporta? Fica tenso?
Sou um torcedor como qualquer brasileiro. Fico nervoso, concentrado no jogo, vendo os lances, querendo que o Brasil faça os gols. E, quando sai gol, vem aquela mistura de felicidade com alívio porque sei que o país inteiro espera que a seleção vença e seja a melhor do mundo. No intervalo e depois do jogo, até penso no que aconteceu com a visão de jogador, mas ali na hora é torcer e passar coisas boas para o time.
Como está o processo de recuperação? Como faz para manter a cabeça boa?
Quando aconteceu a lesão e soube o resultado do exame, é claro que veio uma tristeza enorme. Eu estava presente no ciclo todo e, perto da Copa, acabei passando por isso. Mas logo veio uma força enorme de dentro do meu coração, uma certeza de que a vida segue e de que vou me recuperar e continuar indo atrás dos meus sonhos. Minha fé me fortaleceu. Aí tem a importância da presença incondicional da família, das tantas e tantas mensagens de apoio, das conversas com pessoas importantes na minha vida, da postura incrível do Real Madrid, das ligações do pessoal da CBF, da seleção e dos jogadores, companheiros de time ou não. Hoje tenho certeza de que voltarei ainda mais forte, me dedicando como sempre fiz para conseguir meus objetivos.
Você continua no grupo de zap da seleção? Tem contato com os jogadores? O que pode falar do grupo e do Ancelotti?
Tenho contato com vários jogadores. A gente se fala, comenta algumas coisas, troca ideia de futebol e outros temas. Recebi muitas mensagens e ligações de apoio, preocupação e otimismo. Sobre o Ancelotti treinador nem temos o que acrescentar, né? Todo mundo conhece a história vitoriosa dele e fiquei feliz demais quando assumiu a seleção. O que faço questão de falar sempre é do Ancelotti ser humano, do cara que me ajudou a enfrentar desafios enormes e me apoiou nos momentos mais difíceis. É uma pessoa especial. Sabe liderar no ambiente às vezes difícil do futebol, e nós, jogadores, somos privilegiados em tê-lo como treinador.
Rodrygo / atacante