Com aval do stj, maraey inicia obras e busca mais investidores
Quase uma década depois de os fundos de pensão superarem o "trauma" da Costa do Sauípe " ...
Quase uma década depois de os fundos de pensão superarem o "trauma" da Costa do Sauípe " outrora bilionária, mas vendida pela Previ, em 2017, por apenas R$ 140 milhões ", um novo complexo de resorts quer convencer as fundações a apostarem de novo no turismo. Trata-se do Maraey, empreendimento de 844 hectares no litoral de Maricá (RJ) cujas obras começam, enfim, nos próximos dias, após anos de batalha judicial. Orçado em R$ 11 bilhões, o projeto também acaba de sair em roadshow para atrair investidores mundo afora " e os fundos de pensão brasileiros, com patrimônio de quase R$ 1,4 trilhão, estão entre os alvos prioritários.
" A experiência da Costa do Sauípe, de fato, machucou o segmento, mas o Brasil tem potencial para fazer do turismo um novo petróleo. E os fundos de pensão ainda investem pouco na economia real. Por isso, queremos posicionar o Maraey como uma oportunidade " diz o empresário espanhol Emilio Izquierdo, CEO do projeto, que pretende apresentar formalmente o empreendimento à Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp).
Izquierdo quer captar, até o fim do ano, cerca de R$ 800 milhões, via dívida e participação acionária. Os recursos vão se somar ao acordo de intenções de R$ 3,5 bilhões com três organismos multilaterais, entre eles a International Finance Corporation, do Banco Mundial.
Nas últimas semanas, Izquierdo se reuniu com potenciais interessados em Nova York, Miami e na Espanha e, nos próximos meses, irá a Londres e a cidades do Oriente Médio. Quinze advisors estão envolvidos no club deal, segundo Izquierdo, que admite que os juros altos e a instabilidade cambial ainda são obstáculos.
" O investimento estrangeiro em turismo é praticamente inexistente no Brasil, mas o país começa agora a se posicionar como um destino dessa categoria " disse o empresário, cuja família é acionista do negócio e que mora no Rio há cinco anos. " Não faremos nada parecido com condo-hotel ou time share, que costumam ser oferecidas a investidores de varejo. Buscando apenas investidores institucionais.
Projetado para a região oceânica entre a praia e a lagoa em Maricá, a 60 quilômetros do Rio, o Maraey tem a primeira fase orçada em R$ 4,5 bilhões e abrange três hotéis (somando 1,1 mil quartos) e 244 branded residences, além de uma escola de hotelaria certificada pela École Hôtelière de Lausanne. O empreendimento terá o primeiro resort temático da marca Rock in Rio; o primeiro hotel da bandeira Ritz-Carlton Reserve na América do Sul; e um resort all-inclusive da bandeira JW Marriott:
" O Rio é a porta de entrada do turismo internacional no Brasil, mas, enquanto seus hotéis estão concentrados na área urbana, os resorts ficam em cidades afastadas da capital, como Angra e Búzios. Enxergamos o Maraey como uma oferta complementar, dada sua proximidade com o Rio. E o Brasil, como um todo, tem poucos empreendimentos cinco estrelas all-inclusive. Esse é o nosso diferencial.
As obras que começam agora são de infraestrutura básica, como 23 quilômetros de pavimentação e a implantação de redes de energia, água e esgoto. Elas devem durar dois anos, mas, até o início do ano que vem, já devem ser iniciadas as obras dos empreendimentos, como os hotéis. Essa etapa deve durar dois anos e meio, com a expectativa de que o Maraey comece a receber os primeiros hóspedes no fim de 2029.
O início das obras marca uma nova etapa de um empreendimento que vem sendo pensado há 18 anos e cuja história é marcada por embates judiciais. Em agosto, por maioria de votos, a Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) liberou a retomada da construção. Os magistrados atenderam a pedido do município e reformaram decisão monocrática que, em maio de 2023, suspendeu as licenças e paralisou as obras, que haviam começado apenas um mês e meio antes.
Naquela ocasião, o Ministério Público do Estado do Rio conseguiu liminar contra o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), o município e o empreendimento, alegando risco ambiental e " à preservação do ecossistema de restinga". Mas a decisão do STJ, do fim do ano passado, estabelece que o caso precisa ser analisado em primeira instância.
" A gente sofreu com os passivos e preconceitos herdados dos projetos anteriores para a área, que, de fato, não respeitavam o meio ambiente. Confio que o cenário agora seja de segurança jurídica " justifica o empresário, que chegou a jogar futebol profissionalmente na Espanha antes de trocar o esporte pelos negócios.
Na segunda fase do Maraey, o plano é desenvolver projetos residenciais de alto padrão que devem somar 7 mil apartamentos, além de shoppings e de uma escola internacional. Ainda não há contrato com incorporadoras para essa nova etapa.
" O foco hoje é de 200% na primeira fase " conclui o CEO do Maraey, cuja administração é tocada por uma equipe de 30 pessoas no Brasil e outras 14 na Espanha.