Lunes, 08 de Junio de 2026

De positano ao maracanãzinho, tênis se reinventa

BrasilO Globo, Brasil 8 de junio de 2026

O circuito profissional ficou pequeno para os amantes do tênis. Os Grand Slams (e demais ...

O circuito profissional ficou pequeno para os amantes do tênis. Os Grand Slams (e demais torneios) continuam sendo seu coração, mas a modalidade descobriu novas maneiras de ocupar espaço na cultura contemporânea. Seja em uma arena lotada no Rio ou em uma clínica exclusiva de um ex-top 10 diante do mar Mediterrâneo, a bola continua a mesma. O que mudou foi a forma de consumi-la.
Hoje, o esporte movimenta viagens exclusivas, eventos de luxo, experiências com ex-jogadores, festivais de entretenimento e formatos diferentes de competição, que misturam espetáculo e alto rendimento. Como o UTS (Ultimate Tennis Showdown), que terá pela primeira uma edição no Brasil, mês que vem, no Rio.
" O tênis vive um momento de ouro no mundo como um todo " resume Marco Farah, diretor de estratégia da ODDZ, organizadora do UTS Rio, que acontecerá de 16 a 18 de julho, no Maracanãzinho.
A percepção desse crescimento foi determinante para trazer ao Brasil o torneio que já passou por locais icônicos, como o coliseu de Nimes, na França. A etapa nacional está confirmada para os próximos três anos. Entre as estrelas que vão participar estão o australiano Nick Kyrgios, o argentino Francisco Cerúndolo, o britânico Cameron Norrie e o francês Ugo Humbert. A organização anunciará em breve o brasileiro que se juntará a eles.
A edição carioca faz parte de um movimento global que busca aproximar o esporte de novos consumidores sem abandonar sua essência competitiva. Criado em 2020 por Patrick Mouratoglou, ex-técnico de Serena Williams, o circuito tem regras próprias, partidas mais curtas, interação constante entre jogadores e torcida e uma experiência mais dinâmica. A premiação total chega a US$ 1,2 milhão (R$ 6,2 milhões), com US$ 400 mil (R$ 2 milhões) destinados ao campeão, valores comparáveis aos de torneios importantes da ATP.
" O UTS não é um torneio de exibição, é um torneio para valer. Mas tem que flexibilizar dentro do calendário. A adequação à gira é fundamental. Mesmo fora da ATP, respeita a dinâmica e bebe de lá, é a favor da gira " afirma Farah.
‘passaporte de acesso’
O crescimento do esporte abriu espaço para iniciativas que tratam o tênis como experiência de luxo. É o caso do Fila Tennis Hunter, projeto da marca esportiva em parceria com o empresário André Sada. Ele vai reunir grupos reduzidos de convidados para jogar tênis em destinos exclusivos ao redor do mundo com a presença de um grande nome da modalidade. A primeira edição começa hoje e vai até o dia 11, em Positano, na Costa Amalfitana, na Itália, com a presença do argentino Diego Schwartzman, ex-top 10 do mundo e campeão do Rio Open em 2018.
" Depois de muitos anos no entretenimento e também vivendo o circuito de torneios amadores pelo mundo (ITF Masters), ficou evidente que o tênis é muito mais do que competição. Ele é um passaporte de acesso: conecta pessoas, abre portas e leva você a lugares que normalmente não estariam no seu radar " afirma Sada.
Um dos pilares do projeto é a convivência entre os convidados. Serão 12 pessoas, que participarão de clínicas e bate-papos com Schwartzman, um torneio de duplas, jantares e passeios na região do Hotel San Pietro. A coordenação esportiva do projeto está a cargo da ex-tenista Vanessa Menga.
" O limite reduzido de participantes é intencional, pois queremos algo exclusivo e com qualidade " diz o empresário.
Os destinos também são parte essencial do conceito. Para 2027 estão na mira quadras no Butão, na África do Sul e no Brasil.
" Eles são quase personagens do projeto. A escolha passa por estética, exclusividade, energia do destino e, principalmente, por serem pouco óbvios " explica ele.
galisteu é convidada
A transformação do tênis em produto de lifestyle também é percebida por celebridades que passaram a frequentar os eventos ligados ao esporte. Uma das convidadas para a experiência em Positano, a apresentadora Adriane Galisteu enxerga a modalidade como um símbolo de um novo tipo de consumo.
"Hoje, mais do que qualquer coisa, a experiência vale muito. Estar com pessoas interessantes em lugares icônicos é o novo luxo " diz Galisteu: " O tênis hoje vai muito além da quadra. Virou comportamento, viagem, bem-estar, encontro… Acho isso muito cool. E honestamente? Não tem preço estar em um lugar como Positano, numa quadra que, na minha opinião, é uma das mais icônicas do mundo.
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