Jueves, 11 de Junio de 2026

Governo apresenta proposta alternativa de autonomia do bc

BrasilO Globo, Brasil 10 de junio de 2026

O governo Luiz Inácio Lula da Silva tenta emplacar no Senado uma sugestão alternativa ao ...

O governo Luiz Inácio Lula da Silva tenta emplacar no Senado uma sugestão alternativa ao parecer do senador Plínio Valério (PSDB-AM) sobre a proposta de emenda à Constituição (PEC) da autonomia do Banco Central, que está na pauta de hoje da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A ideia é permitir ao BC usar suas receitas financeiras e convertê-las em despesas necessárias aos investimentos nos arranjos de pagamento, como no Pix, e também para o funcionamento da autoridade monetária, como o reforço de pessoal, segundo interlocutores.
Com os cortes recentes no já precário orçamento do BC e o tarifaço da administração Donald Trump, que mirou o Pix como um dos problemas do Brasil, o governo está com pouco espaço político para segurar a PEC.
Nesse contexto, a saída é buscar uma solução que reforça a capacidade de atuação da autoridade monetária, mas sem mudar seu status de autarquia " o que está previsto no relatório de Valério e tem sido defendido pelo comando do BC. Com isso, há um ganho de autonomia, mas não tão grande quanto no formato proposto na PEC original e no substitutivo de Valério.
A ideia do governo não tem apoio do BC, que, nos bastidores, a vê como manobra protelatória. O senador Plínio Valério vinha batendo o pé de que não alterará mais seu parecer, que em sua última versão teve apoio da Advocacia-Geral da União (AGU) para ser desenhado. Mantido esse cenário, a proposta do governo terá que ser apresentada como uma emenda alternativa por outro parlamentar.
AUDITORES E FUNCIONÁRIOS
Ontem, a Associação Nacional dos Auditores do Banco Central (ANBCB) se posicionou contra a ideia do governo. A entidade representa uma parcela dos funcionários com melhores salários no BC (os procuradores são os salários mais altos) e diz que há um amplo apoio na autarquia ao texto de Valério.
A leitura, segundo o vice-presidente da entidade, Guilherme Solino, é que há todo um regramento amplo para as autarquias que podem gerar conflitos interpretativos e jurídicos sobre aspectos como a contratação de pessoal, hoje submetida ao Ministério da Gestão e Inovação.
" Por que é importante não ser autarquia? Porque autarquia tem um regramento jurídico muito consolidado no nosso ordenamento brasileiro, com disciplinas e restrições " afirmou, destacando que, no limite, o tema pode parar no Supremo Tribunal Federal.
Em outra frente, uma carta assinada por 43 chefes de departamento do BC também reforçou o apoio à proposta do senador amazonense. No manifesto, os chefes de departamento do Banco Central afirmam que redução de pessoal nos últimos anos ameaça a capacidade de acompanhar o crescimento do sistema financeiro e preservar a estabilidade financeira do país.
"O texto apresentado pelo relator traz as condições necessárias para enfrentar esses desafios. Ele fortalece a autonomia institucional do Banco Central, assegurando que nossa atuação permaneça técnica e voltada ao interesse público", diz o texto.
Na outra ponta, além dos principais integrantes da equipe econômica estarem articulando contra a versão de Valério e defendendo o modelo de reforço orçamentário sem mudança de status de autarquia, o Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal) tem criticado a PEC, vista como uma espécie de "privatização" do BC.
Além de torcer o nariz para a ampliação da autonomia, o governo teme os impactos financeiros da mudança proposta, mesmo com a exceções a regras fiscais. São dois pontos considerados problemáticos pela equipe econômica: os fluxos financeiros entre Tesouro e Banco Central seriam despesas e receitas primárias muito volumosas que distorceriam a estatística, mesmo não consideradas para efeito de cumprimento de metas.
Critério do FMI
Outro ponto criticado pelo governo é que dívida pública passaria a ser contabilizada com a metodologia do Fundo Monetário Nacional (FMI), que é entre 12 e 15 pontos percentuais mais alta do que a regra atual, porque passaria a considerar também os títulos do Tesouro que estão com o BC.
Se aprovada na CCJ, a PEC ainda vai ao plenário do Senado antes de seguir para a Câmara dos Deputados.
La Nación Argentina O Globo Brasil El Mercurio Chile
El Tiempo Colombia La Nación Costa Rica La Prensa Gráfica El Salvador
El Universal México El Comercio Perú El Nuevo Dia Puerto Rico
Listin Diario República
Dominicana
El País Uruguay El Nacional Venezuela