Pix por aproximação no iphone ainda não tem data para estrear
A implementação do Pix por aproximação nos iPhones no Brasil não tem data para acontecer e ...
A implementação do Pix por aproximação nos iPhones no Brasil não tem data para acontecer e ainda precisa superar divergências entre a Apple e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), arrastando uma investigação por práticas anticompetitivas que começou em abril de 2025. Na Califórnia, os executivos da companhia admitem conversas constantes com autoridades brasileiras, mas resistem a abrir sua plataforma para terceiros por considerarem que questões regulatórias e técnicas ainda permanecem: ainda há "muito trabalho" a ser feito, afirmam.
Do ponto de vista regulatório, a Apple apresentou sua posição oficial ao Cade em fevereiro, quando defendeu o direito de cobrar de terceiros pelo licenciamento da tecnologia que permite a implementação do Pix por aproximação. No centro da disputa está o acesso ao chip de NFC (sigla em inglês para Comunicação por Campo de Proximidade), que permite a conclusão das operações.
No Android, do Google, os aplicativos têm acesso livre e gratuito ao chip de NFC. Já no iPhone, o uso do chip por terceiros, como bancos e fintechs, necessariamente passa pela Apple Pay, a carteira digital da companhia, pelo chip de NFC e pelo chip SE Element " cada transação no Pix gera micropagamentos para a Apple. A dona do iPhone não quer abrir mão da cobrança e acusa rivais como Nubank, Zetta, Mercado Pago, PicPay e PayPal de tentar reduzir os próprios custos.
Do ponto de vista tecnológico, a Apple questiona como a abertura do NFC poderia dar a terceiros os dados dos usuários, expressando receio de que informações sensíveis possam ser usadas para fins indesejados, como publicidade. Muitos dos executivos repetem que a abertura do iPhone poderia abrir novas vulnerabilidades para os usuários, especialmente quando isso acontece por meio de sistemas de pagamentos.
Para a Apple, o cenário brasileiro é marcado por "incerteza jurídica e complexidade regulatória", tornando qualquer abertura um movimento temerário. A gigante, porém, avalia que o fato de o governo Trump ter colocado o Pix na mira não impede as conversas com autoridades brasileiras " "esse não é o nosso perfil", disse um funcionário envolvido nas negociações.
O clima descontraído no Apple Park nesta semana, que reuniu desenvolvedores, clientes da Apple e jornalistas, mudava completamente quando o tema era regulação. Greg Joswiak, vice-presidente sênior de marketing mundial, reuniu a imprensa para reclamar contra a Lei dos Mercados Digitais (DMA) da União Europeia, que regula o funcionamento das plataformas digitais na região. Por exigências de Bruxelas, os recursos da nova Siri AI não foram lançados na Europa, e não têm data para que isso aconteça.
" É crítico levar a mensagem de que outros governos não devem seguir um modelo fracassado que vemos na Europa " disse ele.
(O jornalista viajou a convite da Apple)