‘Crazy’ tuchel põe à prova suas convicções
"É dessa vez que o futebol vai voltar para "casa?" Faz 30 anos que a caricata música Three Lions ...
"É dessa vez que o futebol vai voltar para "casa?" Faz 30 anos que a caricata música Three Lions foi lançada em meio ao jejum (que está completando seis décadas) de títulos relevantes da Inglaterra. Desta vez, as esperanças de ver o país inventor do esporte finalmente vencer a segunda Copa do Mundo estão depositadas em um time e um técnico que suscitaram polêmicas.
Anunciado em outubro de 2024, Thomas Tuchel atraiu os holofotes para si quando fez uma convocação bem particular no mês passado. Primeiro alemão e terceiro estrangeiro à frente do English Team, o treinador de 52 anos deixou de lado nomes badalados como Cole Palmer, Phil Foden, Harry Maguire e Trent Alexander-Arnold.
Todos vêm de temporadas decepcionantes ou não se encaixam tão bem no esquema do treinador. Por isso, ele decidiu dobrar a aposta e montar um time que lhe satisfaça, independentemente da popularidade de jogadores como Dan Burn, John Stones e Jordan Henderson.
A situação chegou a ser comparada com o que aconteceu no Brasil, mas no sentido inverso, já que o italiano Carlo Ancelotti acabou cedendo em algumas escolhas em prol de pedidos do grupo, principalmente em relação à convocação de Neymar, que está longe de condição física ideal.
A Inglaterra vive boa safra de jogadores, impulsionada pelo fenômeno global que se tornou a Premier League, mas ainda não deixou de bater na trave nas grandes competições. Sob o comando de Gareth Southgate, entre 2016 e 2024, a seleção reencontrou o caminho da vitória , mas parou na semifinal da Copa de 2018 e amargou os vices das Eurocopas de 2021 e 2024 " o primeiro em Wembley, contra a Itália.
sem lugar garantido
Visando dar um próximo passo, a Federação Inglesa (FA) foi atrás de Tuchel, nome com conhecimento tático mais vasto e um lastro vitorioso no país por ter faturado a Champions League de 2021, com o Chelsea.
" Até agora, o trabalho dele é bom, mas ele vai ser julgado pelos resultados nas próximas semanas. Um ponto positivo é que ele não está entrando na política normal de quem é treinador da Inglaterra. A nossa mídia sempre exige muito, e o Tuchel, talvez por ser um cara de fora, não está nem aí… de uma maneira que eu acho muito bom. Ele não faz as coisas só para aparecer, faz o que acha que é o certo " diz Jack Lang, repórter do The Athletic, que também mostra apoio às escolhas do alemão:
" Acho que foi uma mensagem que o Tuchel mandou. Que ele não está escolhendo jogadores baseado na fama, na história, em quanto eles são amados pela imprensa e pelo público. Está chamando o jogador que pode fazer o trabalho que ele exige nesse momento.
Tuchel comandou a Inglaterra em 14 jogos até agora, com 11 vitórias, um empate e duas derrotas, um aproveitamento de 81%. Mas se teve um bom desempenho nas Eliminatórias, o mesmo não se pode dizer nos amistosos: perdeu para Senegal e Japão, e empatou com o Uruguai.
Hoje, às 17h, a estreia na Copa do Mundo acontece diante da Croácia, algoz na semifinal de 2018. A Inglaterra é favorita no Grupo L, que também tem Gana e Panamá, mas ainda precisa se provar em campo. Com Tuchel, nem as estrelas chamadas, como é o caso de Jude Bellingham, têm lugar previamente garantido.
" Ele tem de lutar pela vaga. Jude sabe que é um dos titulares, mas temos entre 14 e 15 jogadores que podem ser titulares. Essas funções podem mudar a qualquer momento " afirmou o alemão à Sky Sports na semana passada.
Tuchel é um treinador de gênio forte e já deixou isso claro principalmente em seu trabalho no Paris Saint-Germain, entre 2018 e 2020, logo após deixar o Borussia Dortmund. Mesmo sendo vice-campeão da Champions na última temporada na França, ele teve embate com várias estrelas do elenco à época, como Mbappé, Di María, Neymar e Thiago Silva. Já no Chelsea, o alemão chegou a ter um desentendimento público com Lukaku. E no Bayern de Munique, as farpas foram trocadas com João Cancelo.
harry kane à frente
Desta vez, sua missão é levar à frente uma equipe que ainda conta com muitos craques, como Harry Kane, candidato à Bola de Ouro pela temporada estupenda que fez no Bayern; Declan Rice e Bukayo Saka, pilares do Arsenal campeão inglês e vice europeu; e Nico O’Reilly e Ollie Watkins, em grande fase em Manchester City e Aston Villa, respectivamente.
Ser tachado como gênio ou louco pelas escolhas feitas na montagem da seleção que está na Copa do Mundo de 2026 é algo que Tuchel vai deixar para o ambiente externo. Fato é que a Inglaterra não está entre as principais favoritas como em outros momentos, mas chegará com uma ideia coletiva " mais forte que características individuais " norteando seu desempenho.