‘O mundo precisa ter o rio no seu calendário de eventos’
Entre os milhares de corredores que, no feriadão de Corpus Christi, viajaram ao Rio para a ...
Entre os milhares de corredores que, no feriadão de Corpus Christi, viajaram ao Rio para a maratona, quatro eram especiais. Eram membros da Abbott World Marathon Majors, a associação americana que certifica as corridas mais importantes do mundo, as chamadas majors " um grupo seleto de apenas oito provas, entre elas Nova York, Londres e Tóquio. A associação visitava pela primeira vez o Rio, que ainda não é candidato oficial, mas começa a sonhar com a chance de, um dia, entrar para a elite do esporte.
" Começamos a nos posicionar para estar nessa prateleira. É um horizonte até 2030. Se esse convite vier, vai exigir ajustes, mas que são viáveis. O mundo precisa ter o Rio no seu calendário, porque a cidade tem algo único a oferecer. Somos um porto seguro em um mundo cuja geopolítica deixa as pessoas com medo de viajar. Nossos desafios de segurança não têm a ver com grandes eventos " pondera Duda Magalhães, CEO e sócio da Dream Factory.
Hoje, a Maratona do Rio tem impacto de R$ 800 milhões na economia da cidade, alta de 36% em um ano, segundo pesquisa da FGV. Entrar para o rol de majors multiplicaria a cifra e seria o passo mais ousado daquilo que Magalhães chama de "fase 3.0" da Dream Factory, empresa de entretenimento ao vivo que tem entre seus sócios Roberto Medina e, além da maratona, organiza eventos como o Rally dos Sertões e o carnaval de rua do Rio.
A estratégia ganhou força no pós-pandemia e foi ancorada na criação de "portfólio proprietário" " eventos e produtos exclusivos da companhia, como a Árvore da Lagoa e a feira de artes ArtRio " e de um ecossistema de negócios. Hoje, ela tem uma firma de ingressos (Go Dream), uma locadora de equipamentos para eventos (LocHub) e uma gestora de espaços (Dream Venue, que cuida da Marina da Glória).
" Temos planos para outros negócios que ainda não tiramos do papel, como uma agência de viagens que contribua para a experiência do nosso cliente. E atuar com força no Rio nos dá protagonismo, porque a cidade é mola propulsora da imagem do país " diz Magalhães.
Na opinião do empresário, os números do turismo mostram que o Rio "já passou do ponto de inflexão e está na fase da consolidação" de um calendário permanente de eventos. Segundo ele, a movimentação ajudou a Dream Factory a registrar quatro anos seguidos de receitas recordes, embora a companhia não abra os números.
A companhia já planeja novos eventos para o portfólio. Um deles será relacionado ao Autódromo de Guaratiba, de cujo projeto participa.
" O autódromo vai destravar um novo valor para o Rio, já que o automobilismo estava fora da cidade. Queremos também atuar de maneira mais agressiva em gastronomia, arquitetura e até com o tema das festas juninas, que é pouco trabalhado pelas marcas " afirma.