Juros futuros voltam a subir, e mercado já projeta alta da selic
Os juros futuros, que refletem apostas do mercado sobre a trajetória futura da Taxa Selic ...
Os juros futuros, que refletem apostas do mercado sobre a trajetória futura da Taxa Selic e embutem as previsões para a inflação, subiram novamente ontem. O ajuste, segundo analistas, é reflexo das negociações de contratos precificando um novo ciclo de alta na taxa básica de juros no curto ou médio prazos. O mercado mantém a estimativa de redução de 0,25 ponto percentual da taxa básica de juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em agosto, para 14% ao ano, mas as apostas nas negociações de ontem apontaram para 15% no início de 2027.
Ainda que o preço do petróleo tenha caído de mais de US$ 110 o barril no início de maio para cerca de US$ 80 ontem " na esteira das negociações entre EUA e Irã para o fim da guerra " continuou contribuindo para a pressão nos juros o tom do comunicado da reunião do Copom desta semana, que reduziu a Selic para 14,25% e mudou o prazo considerado alvo para fazer a inflação cair ao nível da meta anual de 3%. O chamado "horizonte relevante" para o BC passou do último trimestre de 2027 para o primeiro trimestre de 2028.
" O movimento é potencializado pela visão de um Copom mais dovish (brando) e menos comprometido com o controle inflacionário " diz José Alfaix, economista da Rio Bravo Investimentos.
A percepção do mercado catapultou os rendimentos dos títulos do Tesouro, que chegaram a ter suas negociações interrompidas ao longo da semana por conta da volatilidade. Taxas mais altas significam aumento do custo para o governo rolar sua dívida. Ontem, o Tesouro Prefixado com vencimento em 2029 subiu a 14,89% ao ano, e o título IPCA+ com vencimento em 2032 foi negociado a 8,47% acima da inflação. Marília Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos, destaca que o nível atual dos títulos com prazo de cinco anos não era visto desde 2016, no auge da crise econômica do segundo governo Dilma Rousseff.
DÓLAR FECHA EM BAIXA
A explicação do Banco Central que será divulgada na ata do Copom, na terça-feira, será essencial, diz Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset:
" Falta clareza sobre o quê os modelos do BC estão dizendo, mas qual é a conclusão só vamos saber na ata " diz a economista, que também vê no movimento local o impacto das estimativas futuras do juro americano, que apontam alta ainda este ano.
Ontem, a liquidez nos mercados de câmbio e ações foi reduzida pelo feriado nos EUA. O dólar caiu 0,17%, a R$ 5,16, e o Ibovespa fechou estável, a 168.334 pontos.