Domingo, 05 de Julio de 2026

De pelé ao ‘maracanã’, méxico preserva relação com brasil

BrasilO Globo, Brasil 5 de julio de 2026

Os mexicanos decidiram não trabalhar em um dia da Copa do Mundo de 1970, pois Pelé estaria em ...

Os mexicanos decidiram não trabalhar em um dia da Copa do Mundo de 1970, pois Pelé estaria em campo para liderar a campanha que terminaria no tricampeonato da seleção brasileira. Seis décadas depois, a admiração especial do México pelo Brasil, indicada naquele cartaz colado no centro de Guadalajara, ainda é presença forte no dia a dia do país que sonha com um título mundial e enfrenta a Inglaterra, às 21h, pelas oitavas de final.
A partida acontece no Estádio Azteca, onde o Rei brilhou na goleada sobre a Itália naquela decisão. O principal estádio do México, que hoje se despede do Mundial, passou por uma obra de modernização que durou cerca de dois anos, mas teve preservada uma parte importante de sua decoração externa: pinturas de vários ídolos do futebol brasileiro em seus arredores.
A brasileira Nathalia Carvalho mora no México desde o início do ano e conta a surpresa na primeira vez que visitou o icônico local:
" Tem muita coisa referente ao Brasil, Pelé, Copa de 70, Ronaldinho Gaúcho. E com a camisa da seleção, não do Barcelona. Também tem Ronaldo, agora estão pintando o Neymar. São ícones, louvados mesmo, mais até do que jogadores do próprio México " relata a turismóloga.
Orgulho local
A imagem de Pelé com um sombrero no gramado após o título daquela Copa atrai especial carinho.
" Agora, passam umas propagandas com o Pelé de costas, comemorando com o chapéu do México, uma foto dele superemblemática, e isso está em todos os lugares daqui. O México vive muito o Pelé. Os mexicanos falam muito dele quando se fala do Brasil, e têm um orgulho imenso de ele ter jogado aqui.
A lenda da Cidade do México conta ainda que o Azteca não foi o único local onde o ídolo brasileiro entrou em campo. Apesar da falta de registros fotográficos, relatos dão conta de que isso também teria acontecido em uma quadra comunitária no bairro de Tepito " conhecido historicamente como um centro de resistência e identidade cultural na capital, assim como pela violência e marginalização " que recebe um nome conhecido: Maracanã.
O campo de grama sintética fica encravado entre um mercadão do bairro e uma igreja de São Francisco de Assis. Cenário diferente de 1968, quando o Centro Social y Deportivo Tepito nasceu em chão de terra batida " 14 anos depois, o nome foi simplificado para Deportivo Tepito. Desde então, jogam ali principalmente equipes formadas por moradores e comerciantes do chamado "Barrio Bravo".
A crença popular diz que jogadores da seleção brasileira teriam visitado Tepito para fazer compras após vencerem a Copa de 1970. Pelé estava no grupo que acabaria disputando uma partida contra uma equipe do local. Em homenagem à suposta visita, a população deu o apelido à quadra.
Mas o Maracanã mexicano não viveu apenas dias de glória. Entre 2012 e 2018, a quadra caiu em desuso e virou uma zona de alto risco. A situação mudou quando um grupo de moradores retomou o comando e passou a organizar uma competição de equipes amadoras. Hoje, o campo está renovado, com pintura característica e atraindo as pessoas para suas arquibancadas.
Por isso, mais do que um complexo desportivo, o local que vem recebendo turistas é quase um refúgio familiar para ajudar os moradores a escaparem por breves momentos da dura realidade que os cerca.
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