Chuvas atrasam colheita do café, e cotação dispara
Depois de dois anos de forte alta, o preço do café havia dado uma trégua este ano: de ...
Depois de dois anos de forte alta, o preço do café havia dado uma trégua este ano: de janeiro a maio, observou-se uma queda de mais de 8% nos supermercados. O consumidor, porém, pode se preparar para novas aumentos nos próximos meses. Com chuvas atipicamente fortes durante a colheita em Minas Gerais, o valor do grão voltou a subir nas fazendas, e a cotação disparou no mercado internacional.
Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea-USP) mostram que a saca de 60 quilos do café arábica passou de R$ 1.393,57 em 9 de junho para R$ 1.636,25 em 3 de julho, uma alta de 17,4% em menos de um mês. Já o café robusta (conilon) atingiu R$ 1.070,57 por saca em 3 de julho, ante R$ 921,46 em 21 de junho " uma valorização de 16,2% em pouco mais de dez dias.
PRESSÃO CLIMÁTICA
O Brasil é o maior produtor e exportador mundial das variedades arábica e robusta, e os dois tipos de grãos costumam ser misturados pela indústria para equilibrar sabor, aroma e teor de cafeína.
Renato Garcia, pesquisador do Cepea, diz que a recente recuperação dos valores recebidos pelos produtores foi impulsionada pelas chuvas intensas fora de época que atingiram importantes regiões cafeeiras durante o pico da colheita do arábica. O excesso de precipitações interrompeu o ritmo dos trabalhos no campo, reduziu temporariamente a oferta disponível e pressionou as cotações.
" As colheitas ficaram praticamente paradas por duas semanas devido às chuvas intensas fora de época, que prejudicaram o processo " conta.
De acordo com o coordenador dos Índices de Preços do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre FGV), André Braz, os preços devem permanecer elevados devido aos baixos estoques mundiais de café. A valorização dos contratos futuros negociados na Bolsa de Nova York, explica Braz, reforça a expectativa de novas altas:
" Tivemos uma alta de cerca de 5% nos contratos de Nova York. Quando os fundos de investimento fazem esse movimento, eles sinalizam que esperam preços mais altos no futuro, já que esse é um mercado de natureza especulativa.
Para Braz, a recente valorização é resultado de uma combinação de fatores, como a incerteza climática, a redução da oferta mundial, os estoques globais mais baixos e a alta do dólar:
" Em cerca de 30 dias, o consumidor brasileiro já deve começar a sentir o aumento nas prateleiras dos supermercados, e tudo indica que os preços devem permanecer elevados por mais algum tempo.
O principal motivo de preocupação está neste segundo semestre. Para Renato Garcia, o El Niño está praticamente confirmado e deve influenciar as condições climáticas nas principais regiões produtoras, aumentando a incerteza sobre a próxima safra:
" Não sabemos o que esperar " resume.
*Estagiária, sob a supervisão de Danielle Nogueira