Miércoles, 08 de Julio de 2026

Europeus se calam quatro anos após protestos no catar

BrasilO Globo, Brasil 8 de julio de 2026

Em 2022, na Copa do Mundo do Catar, jogadores da Alemanha posaram para a foto oficial, em ...

Em 2022, na Copa do Mundo do Catar, jogadores da Alemanha posaram para a foto oficial, em campo, com todos os seus jogadores tapando a boca. Já a seleção da Inglaterra se ajoelhou antes do apito inicial. Os gestos marcavam protestos contra leis discriminatórias e violações de direitos humanos no país-sede e tiveram ampla repercussão.
Quatro anos depois, essas e outras seleções se calaram mesmo após o governo dos EUA, que iniciou uma guerra no Irã, ter vetado e dificultado a presença de torcedores, jornalistas e até de árbitros, em meio a uma política de imigração considerada arbitrária e ilegal por observadores internacionais.
A diferença de postura foi percebida por torcedores e imprensa internacional, principalmente jornais do Oriente Médio e da África, que apontaram uma espécie de indignação seletiva. O jornal libanês L’Orient-Le Jour (O Oriente-O Dia, em francês), por exemplo, publicou uma reportagem com o título "Quatro anos após o Catar, onde estão as indignações ocidentais agora?"
Em março, a Anistia Internacional cobrou medidas da Fifa para que os direitos humanos fossem respeitados. A entidade lembrou que, desde 2025, a gestão Trump deportou cerca de 500 mil pessoas, mais de seis vezes o público que estará na final da Copa, no MetLife Stadium, em Nova Jersey, no dia 19 de julho.
" Apesar do número alarmante de prisões e deportações, nem a Fifa nem as autoridades americanas ofereceram garantias de que torcedores e comunidades locais estarão protegidos contra discriminação étnica e racial, batidas indiscriminadas, detenções ilegais e deportações " disse, antes da Copa, Steve Cockburn, chefe de Direitos Trabalhistas e Esporte da Anistia Internacional.
Em um Mundial que parece se calar diante de questões políticas, as vítimas gritaram para ser ouvidas. Os protestos mais enérgicos vieram da própria seleção do Irã, que teve sua logística inviabilizada por decisão do governo de Trump e precisou viajar para o México logo após as partidas nos Estados Unidos.
Depois da estreia do Irã, contra a Nova Zelândia, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, visitou o vestiário iraniano, prometeu esforços para mitigar prejuízos e ouviu reclamações do técnico Amir Ghalenoei. Em todas as entrevistas, ele destacou as dificuldades enfrentadas pela seleção:
" Acho que nossa equipe é, talvez, a mais oprimida da Copa do Mundo.
Outra voz dissonante foi Hossam Hassan, técnico da seleção do Egito, que levou a questão palestina para o centro da mesa, com gestos em campo e postura assertiva nas entrevistas, lembrando que o futebol continua sendo usado como tribuna. Ele dedicou a vitória contra a Austrália, na segunda fase, ao povo palestino. Antes do jogo contra a Argentina, ontem, afirmou que a guerra é "uma vergonha para todos e, acima de tudo, uma vergonha para os responsáveis que deixam de lado vidas humanas".
" Se alguém nunca sentiu o sofrimento do povo palestino, é porque lhe falta humanidade " afirmou Hassan, que vestiu a bandeira da Palestina no gramado. " Esse gesto partiu de mim porque sou um ser humano, assim como são seres humanos aqueles que estão morrendo.
movimento frustrado
Em 2022, foi criado o movimento "OneLove", que previa o uso de uma braçadeira de capitão colorida, em alusão aos direitos LGBTQIA+, com adesão inicial das seleções de Inglaterra, Alemanha, Dinamarca, Bélgica, Holanda, Suíça e Gales " no Catar, existem leis que proíbem relações homoafetivas.
Antes do torneio, porém, a Fifa anunciou que aplicaria cartão amarelo caso a braçadeira fosse usada, o que enfraqueceu o movimento. Em resposta, as seleções da Dinamarca e da Bélgica usaram camisas especiais de protesto, e os jogadores alemães e ingleses fizeram os gestos já citados em campo. Nos Estados Unidos, restou o silêncio.
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