Fazenda eleva previsão de inflação deste ano para 5,1%
O governo Lula atualizou ontem as perspectivas para a economia brasileira em 2026, aumentando a ...
O governo Lula atualizou ontem as perspectivas para a economia brasileira em 2026, aumentando a projeção de inflação de 4,5% para 5,1%, acima do teto da meta, que é de 4,5%. Enquanto isso, o Ministério da Fazenda manteve a expectativa de crescimento de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano.
As informações estão no Boletim Macrofiscal, divulgado ontem pela Secretaria de Políticas Econômicas (SPE). A última versão havia sido publicada em maio.
No documento, o Ministério da Fazenda afirma que a revisão foi feita considerando recentes choques no preço do petróleo e derivados em função do conflito no Oriente Médio. Na visão da equipe econômica, esses efeitos podem demorar a se dissipar em um cenário que continua marcado por incertezas geopolíticas.
Outro fator que deve puxar a inflação é a ocorrência do El Niño, fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico, que pode afetar as safras e, com isso, pressionar os preços dos alimentos.
fertilizantes e safra
"No caso dos alimentos, pressões altistas no segundo semestre estão associadas à maior probabilidade de ocorrência do El Niño e à persistência do choque de oferta e de preços dos fertilizantes, com efeitos já em 2026 e risco adicional para a safra de 2027", detalha o Ministério da Fazenda.
Diante dessas pressões inflacionárias, o governo admite pela primeira vez o estouro da meta do IPCA para este ano, que é de 3%, com limite de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o teto é de 4,5%.
A previsão de inflação para o ano que vem também foi revisada, de 3,5% para 3,6%. Depois de 2027, segundo a Fazenda, projeta-se uma inflação convergindo para a meta, em 3%.
A expectativa de crescimento do PIB para este ano, de 2,3%, foi mantida. A equipe econômica diz que o crescimento da economia será sustentado principalmente pela expansão da indústria e dos serviços, a despeito da provável desaceleração da agropecuária, que teve safra recorde, puxada pela soja, no primeiro trimestre.
As perspectivas de uma aceleração da economia em 2027 foram revistas. A projeção do PIB foi reduzida de 2,6% para 2,5%, em razão do comportamento dos juros.
2,3%
É a projeção parao PIB deste ano
A previsão foi mantida em relação ao boletim anterior. Para 2027, expectativa é de expansão de 2,5%