Ânima compra fmu para crescer em são paulo
A Ânima, dona de faculdades como IBMR, Anhembi Morumbi e Inspirali, vai comprar por R$ 410 ...
A Ânima, dona de faculdades como IBMR, Anhembi Morumbi e Inspirali, vai comprar por R$ 410 milhões o Centro Universitário FMU, que, embora esteja em recuperação judicial, tem 51 mil alunos e é a quinta maior rede privada da cidade de São Paulo. A FMU era da gestora Farallon, que havia pago R$ 500 milhões pelo negócio em 2020. Até então, a FMU pertencia à Laureate, grupo americano que decidiu sair do Brasil naquele ano vendendo suas universidades justamente para a Ânima por R$ 4,4 bilhões. Para evitar "remédios" impostos pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), o acordo, na ocasião, previu a venda imediata da FMU pelos novos donos ao fundo Farallon.
" A FMU é uma potência. Vamos dar um passo sólido para avançar em São Paulo, e a nossa estratégia de expansão no semipresencial se fortalece. A FMU tem cerca de 4 mil alunos nessa modalidade " diz a CEO da Ânima, Paula Harraca.
A FMU entrou em recuperação judicial em março, com dívida de R$ 116,4 milhões. Os credores aprovaram o plano em dezembro, e ele foi homologado em fevereiro.
" Essa questão está superada. A participação dela em São Paulo caiu de 9% para 6,2% entre 2021 e 2024. Se apenas recuperarmos esse market share perdido, vamos crescer 50% em até três anos " observa o diretor financeiro Átila Simões, acrescentando que, na visão da Ânima, a transação gera sobreposição pequena no mercado de São Paulo e que, por isso, não deve enfrentar obstáculos no Cade.
analistas questionam preço
Com destaque em Direito, a FMU tem 51 mil alunos, seis campi em São Paulo e 214 unidades de ensino à distância pelo país. A receita líquida anual está na casa dos R$ 280 milhões. A aquisição vai acrescentar 15% ao volume total de alunos da Ânima.
Como a FMU traz consigo uma dívida líquida de R$ 150 milhões, a Ânima está pagando o equivalente a mais de dez vezes o Ebitda (lucro antes de juros, impostos etc.) anual da FMU, que é de R$ 52,9 milhões. Em teleconferência com a analistas de mercado, os executivos da Ânima foram perguntados se o preço pago não foi excessivo.
" Temos consciência de que o cenário é complexo e adverso, com juros altos e eleições. Mas a oportunidade foi única e o ativo tinha que ser nosso " observou a CEO Paula Harraca.