Por malvinas, por diego, por la última de leo
o lado argentino
o lado argentino
A música da arquibancada empurra uma seleção que não aceita perder e traz, em versos, o porquê de os argentinos desejarem a quarta estrela. A começar pelo fim: a última de Leo... será? Prefiro a cautela de Scaloni: "Não serei eu a dizer que é a última do Messi".
Aos 39 anos, Leo faz um Mundial brilhante. Apesar de apresentar cansaço nos últimos jogos, a genialidade permanece ali. Até mesmo quando usa o pé bom e não o espetacular (adorei essa frase que ouvi nesta semana, só não lembro quem a falou). Mas a memória não me deixa esquecer o que Messi viveu há dez anos, no mesmo estádio da final.
Após a derrota na decisão da Copa América para o Chile, a segunda seguida, Messi disse adeus: "A seleção terminou para mim. Foram quatro finais, e não é para mim. Tentei, era o que eu mais queria, e lamentavelmente não deu". Dez anos depois, Messi conseguiu o impossível. Não me refiro a vencer duas Copas Américas, uma sobre o Brasil no Maracanã, ou a Copa do Mundo de 2022. Como seria impossível repetir algo que a Argentina já tinha feito duas vezes? Pois o que soava como blasfêmia hoje é realidade: para muitos na Argentina, dentro das quatro linhas, Messi é maior que Maradona.
Don Diego, nunca esquecido pelos argentinos, não viu Messi ser campeão com a camisa do país, ao menos neste plano (quem sabe esteja ajudando do outro?).
A Argentina tem muitos defeitos, mas a falta de memória não é um deles. Diego está sempre presente, assim como as Malvinas, em qualquer estádio a lo largo y ancho del país. Todo dia 2 de abril, os veteranos são homenageados, e a vitória sobre a Inglaterra na Copa aqueceu o coração daqueles que ainda sofrem os traumas da guerra. Eram garotos sem preparo contra um dos exércitos mais poderosos do mundo. Morreram muitos Fernández, Álvarez, Martínez, sobrenomes que fazem parte da identidade argentina.
Esqueçam o papo elitista de que "somos a Europa na América do Sul". Se você olhar bem para os rostos de Enzo, Lautaro, Molina, Otamendi, Cuti ou Lisandro, verá a cara da verdadeira Argentina " aquela que por muitas vezes não tem voz e que luta incansavelmente por dignidade e justiça. Que não é apenas europeia, mas também não-branca e que carrega traços dos povos originários.
Claro que a Argentina também é feita por Scalonis, Messis, MacAllisters, ou Sibillas como eu. Mas esta seleção representa muito a Argentina que não desiste, que luta todos os dias para os filhos não passarem fome. Lisandro Martínez já disse que, quando criança, por muitas noites foi dormir sem comer.
Há um sentido de pertenencia, de pertencimento em português. Os argentinos se identificam com esta seleção especialmente por honrar aquilo que eles entendem que é algo maior: não falhar com os seus.
Messi é rodeado por jogadores que não querem falhar com ele; e ele não quer falhar com quem ama a seleção. Não falta caráter para a Scaloneta. Não é o futebol mais vistoso da Copa, mas é o que representa 47 milhões de pessoas, sem esquecer o passado e reverenciando o presente.