Gávea, de arminio fraga, encerra gestão de fundos multimercado
A Gávea Investimentos, gestora criada pelo ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga, ...
A Gávea Investimentos, gestora criada pelo ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga, decidiu encerrar a gestão de sua linha de fundos multimercado Gávea Macro, que serão transferidos para a Bradesco Asset. De acordo com comunicado enviado a clientes, a Gávea decidiu encerrar a administração de capital de terceiros nesse segmento. A transferência da gestão dos fundos para a Bradesco Asset será submetida à aprovação dos cotistas.
Os clientes poderão sacar os recursos ou fazer a migração. A indicação da Bradesco Asset, diz o comunicado, tem como objetivo assegurar a continuidade dos investimentos e a preservação das estratégias dos fundos. Com 25 anos de mercado, a asset do banco paulista administra mais de R$ 1 trilhão em ativos e está entre as maiores gestoras do Brasil. Em junho, segundo dados da Anbima, a Gávea Investimentos tinha pouco mais de R$ 5 bilhões, sendo R$ 2,77 bilhões nos fundos multimercado.
"A iniciativa permitirá combinar a expertise construída pela Gávea com a capacidade de análise, pesquisa, gestão de risco e estrutura operacional da Bradesco Asset", diz o comunicado.
Para Bruno Funchal, CEO da Bradesco Asset, a escolha da Gávea reforça o compromisso com a excelência na gestão de recursos.
"Gostaria também de registrar o reconhecimento à relevante contribuição da Gávea para o desenvolvimento da indústria brasileira de fundos", afirmou Funchal em nota.
A Bradesco Asset informou que mantém conversas com profissionais da Gávea para uma potencial absorção de parte da equipe.
GÁVEA MACRO
O ano passado foi difícil como um todo para os multimercados, que tiveram perda líquida de quase R$ 59 bilhões.
Segundo a coluna Capital, o Gávea Macro, principal fundo da gestora, rendeu 3,16% em 2025, contra 14,3% do CDI. Como percentual do CDI, o fundo entregou 22%, " o único desempenho pior foi registrado em 2008, o ano da crise do subprime, quando o fundo perdeu 7%.
Este ano, até julho, o fundo rendeu 4,35%, abaixo dos 8,15% do CDI no período.
Procurado pelo GLOBO, Arminio Fraga reenviou o comunicado que foi endereçado ontem aos clientes. No texto, a Gávea destaca que sempre "manteve o alinhamento com os clientes, investindo patrimônio dos próprios sócios com a mesma estratégia", e que, até que a transferência dos fundos seja efetivada, continuará sendo a responsável pela gestão dos recursos. "Durante este período de transição, não haverá restrições para novas aplicações ou pedidos de resgate, desde que respeitados os prazos previstos no regulamento de cada fundo", explica o comunicado.
INDÚSTRIA DE FUNDOS
Segundo analistas consultados pelo GLOBO, a gestora " que agora vai gerir apenas o portfólio dos sócios e recursos alocados nos fundos de participação " ajudou a consolidar a indústria de fundos brasileira ao trazer para sua estrutura padrões globais de gestão, atraindo volume inédito de capital estrangeiro para o mercado local. Fundada por Arminio e sócios, a Gávea elevou a fatia do mercado de gestoras independentes no país.
Antes de presidir o Banco Central, em 1999, Arminio trabalhou por seis anos como diretor do Soros Fund Management, do megainvestidor George Soros, em Nova York. A experiência internacional trouxe um selo de credibilidade para a gestora independente recém-criada em 2003, mostrando que empresas brasileiras do setor podiam operar com rigor internacional, segundo analistas. (Colaborou Paulo Renato Nepomuceno)