Lunes, 10 de Agosto de 2026

Bia ferreira volta foco ao boxe olímpico por ouro em la

BrasilO Globo, Brasil 10 de agosto de 2026

De sparring na Rio-2016 à principal atleta da seleção brasileira de boxe da atualidade. ...

De sparring na Rio-2016 à principal atleta da seleção brasileira de boxe da atualidade. Hoje com 33 anos, a baiana Bia Ferreira começou como aprendiz na Olimpíada no Brasil e, após duas medalhas " prata em Tóquio-2020 e bronze em Paris-2024 ", e um cinturão no boxe profissional, volta o foco para o boxe olímpico para chegar a Los Angeles-2028 em busca do tão sonhado ouro.
Durante os Jogos de 2016, Bia participou do projeto Vivência Olímpica, em que 20 revelações de diversas modalidades conviveram com os atletas olímpicos brasileiros. Ela foi parceira de treino da também baiana Adriana Araújo, primeira medalhista olímpica do boxe feminino (bronze, em Londres-2012), chamou a atenção dos técnicos do Brasil e, no ano seguinte, entrou na seleção permanente.
" A Rio-2016 foi onde tudo começou. Quando passei a realizar meus sonhos, meu primeiro contato com atletas profissionais e quando decidi ser uma boxeadora de alto rendimento " lembra Bia. " Lá atrás, meu sonho era pequenininho: chegar à equipe olímpica e treinar com quem representava meu país. Depois é que sonhei com as principais competições, incluindo a Olimpíada. Foi a Rio-2016 que me fez amar e me entregar ao boxe e que abriu as portas do mundo para mim.
OLÍMPICO X PROFISSIONAl
No Rio, quando Bia era aprendiz, o boxe feminino teve apenas três categorias. Naquela época, ela lutava nos 60kg. Agora, compete nos 65kg, justamente a nova categoria que integrará o programa do boxe em LA-2028, edição com igualdade nas divisões de peso entre homens e mulheres.
Depois que Bia entrou na seleção permanente, não saiu mais. Mesmo após se dedicar exclusivamente ao boxe profissional, no ano passado. É que ela sabia, lá no íntimo, que sua história com o boxe olímpico ainda não tinha terminado. Sentimento que surgiu ainda no pódio de Paris-2024, quando recebeu a medalha de bronze.
" Nunca abandonei o boxe olímpico " explica Bia. " Se tivesse vindo o ouro em Tóquio ou Paris, a história poderia ser outra.
Bia se "despediu" das competições olímpicas mas manteve os treinos com a seleção no Centro de Treinamento, em São Paulo. Voltou ao time olímpico neste ano em busca da classificação para LA-2028.
Bia já havia experimentado carreira híbrida no ciclo de Paris-2024. Na ocasião, porém, dava prioridade ao calendário de classificação olímpica e marcava as lutas profissionais nas brechas.
Desta vez, manteve carreira profissional exclusiva, com contrato com a promotora Matchroom Boxing. No profissional, a baiana tem cartel de oito vitórias e apenas uma derrota. Chegou a ser dona do cinturão do peso-leve (61kg) da Federação Internacional de Boxe (IBF) ao derrotar a argentina Yanina del Carmen Lescano, em abril de 2024, e perdeu para a turca Elif Nur Turhan, em dezembro de 2025. Ela voltará a lutar ainda neste ano, em confronto ainda não anunciado.
Apesar de se tratar do mesmo esporte, Bia ressalta as diferenças entre as modalidades. O boxe olímpico, mais dinâmico e explosivo, seria como uma prova rápida do atletismo, 100 metros rasos. A luta tem menos rounds e é preciso pontuar. Já o profissional seria uma prova para fundistas, longa e com a meta do nocaute.
" Em 2025, quando só fiz o profissional, senti falta do olímpico. Gosto de resenhar, de estar em grupo. E o profissional é mais solitário. Quando fiz os dois, no ciclo de Paris-2024, não teve isso. Era corrido e eu rezava para ter folga " explica Bia. " E tem menos lutas. São cerca de três no ano. No olímpico tem competição com quatro, cinco lutas. Isso era um saco.
Ao cumprir a palavra e levar o ano de 2025 apenas no boxe profissional, Bia viveu experiências diferentes e curtiu o que de bom esta carreira proporciona. Viajou para campings no exterior e foi tratada como estrela. Não imaginava ter modelitos especiais e brilhantes para subir no ringue. Muito menos viajar e se hospedar em hotéis de luxo.
" Tem esse glamour. Lutei duas vezes em Mônaco. Tudo é um espetáculo, uma noite planejada só para você " comenta a boxeadora, que admite que não sabe se manterá a carreira híbrida em 2027.
JANTAR LIBERADO
Em dez anos de carreira olímpica, Bia Ferreira ganhou quase tudo que era possível. Foi pentacampeã brasileira, (2017, 2018, 2020, 2022 e 2026), campeã dos Jogos Sul-Americanos Cochabamba-2018, bicampeã dos Jogos Pan-Americanos (Lima-2019 e Santiago-2023), bicampeã mundial em Ulan-Ude-2019 e Nova Delhi-2023, vice-campeã mundial em Istambul-2022, e duas vezes medalhista olímpica na categoria leve (60kg).
" Sei que tenho boxe suficiente para ser uma campeã olímpica, é o único título que me falta. Mas também estou feliz com a Matchroom. Estou deixando acontecer.
Ao que tudo indica, a partir deste ano, ela dará prioridade à classificação olímpica. Afinal, a corrida pela vaga já começou. Após lutar no Campeonato Brasileiro nos 60kg por um equívoco na inscrição, foi para a China com a seleção e venceu, logo de cara, a Copa do Mundo de Guiyang nos 65kg. Superou a atual campeã mundial, a cazaque Aida Abikeyeva, por unanimidade, assim como na final, diante da britânica Sacha Hickey.
" Me surpreendi com meu desempenho. Havia recuperado a velocidade porque o boxe profissional te deixa mais lenta. Acho que este período no profissional me amadureceu. Consegui ser mais fria do que antes.
Bia conta estar gostando da experiência nos 65kg. Segundo ela, nos 60kg, tudo "era mais regrado". Na semana da competição, por exemplo, tinha de diminuir a alimentação e o consumo de líquidos.
" Agora eu como até mais, dependendo da situação. Antes, na véspera da pesagem tinha de abrir mão do jantar. Era a famosa "noite de cão". Desta vez, janto e bem. Bem alimentada e hidratada, o corpo reage. Não tenho dores. Em contrapartida, minhas rivais que já eram grandes dobraram de tamanho " brinca Bia.
Esta nova condição também resolveu um "problema" na possível composição da seleção. Assim que Bia deixou o posto, Rebecca Lima, que foi sua sparring nas duas últimas Olimpíadas, brilhou e é a atual campeã mundial. Agora, as duas podem ir a LA-2028 sem ter de disputar vaga uma com a outra pela categoria.
" Torço muito pela Rebecca. É uma batalhadora. Sei como foi o "corre" dela. Se tivéssemos de disputar a vaga, seria uma guerra. E não seria a primeira vez, afinal esse é o nosso trabalho. Sabemos que tem de ir a melhor.
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