Miércoles, 12 de Agosto de 2026

Aneel rejeita recurso da enel e mantém análise de caducidade

BrasilO Globo, Brasil 12 de agosto de 2026

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) rejeitou ontem, por unanimidade, o recurso ...

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) rejeitou ontem, por unanimidade, o recurso apresentado pela Enel São Paulo e manteve o processo que pode levar à recomendação de rompimento da concessão. Com isso, o processo de caducidade, que já está em fase final, segue tramitando e deve ser analisado nas próximas semanas. Caso a Aneel decida pela rescisão do contrato, caberá ao Ministério de Minas e Energia a decisão final sobre o futuro da companhia em São Paulo.
O processo de caducidade avalia se a Enel tem condições de prestar com qualidade o serviço de distribuição de energia em 24 municípios da Região Metropolitana de São Paulo, incluindo a capital, uma das áreas de concessão mais densas do país. Ele foi instaurado após três grandes apagões, em 2023, 2024 e 2025, que colocaram a empresa na mira do órgão regulador e sob pressão política.
A concessionária argumenta que vem cumprindo o plano de recuperação aprovado pela Aneel em 2025 e que está sendo cobrada por índices que não estão previstos nem em contrato nem em regulamentações da agência. A Enel alega ainda haver erro na metodologia usada para verificar sua prestação de serviços e pede uma perícia técnica sobre o evento climático de dezembro de 2025, que, segundo a empresa, foi diferente dos vendavais de 2023 e 2024.
‘Ápice de uma escalada’
O contrato da Enel São Paulo passou a ser questionado em novembro de 2023, quando 2,5 milhões de endereços ficaram sem luz após um forte vendaval " alguns, por até uma semana. Em outubro de 2024, após outro episódio de chuva e ventos fortes, 3,1 milhões ficaram sem energia. Em dezembro de 2025, um novo apagão afetou 4,21 milhões de clientes.
Em seu voto, o relator, Fernando Mosna, disse que a abertura do processo de caducidade não é resposta a um "deslize pontual", mas "representa o ápice de uma escalada regulatória construída ao longo de anos, diante de falhas reiteradas, monitoradas e sancionadas, sem que a concessionária tenha apresentado resposta efetiva."
A Enel argumenta que o evento climático de dezembro de 2025 não seria comparável aos anteriores, porque o ciclone durou mais de um dia. A perícia técnica pedida em maio pela concessionária foi negada pela agência na semana passada.
A empresa diz ainda que, desde 2023, houve redução de 88% nas quedas de energia por mais de 24 horas e afirma ser tratada de forma diferente das outras distribuidoras. O advogado da empresa, Thiago de Barros Correia, argumenta que a Aneel precisa considerar como indicadores de melhora os investimentos na modernização da rede aérea, a disponibilização de mais equipes em caso de emergência e o tempo de religamento de energia. Segundo o advogado, a caducidade do contrato "vai gerar aumento de risco regulatório para todo o setor".
Conforme mostrou O GLOBO, integrantes da Aneel avaliam que a tendência é o órgão recomendar ao Ministério de Minas e Energia a cassação do contrato da empresa italiana. Isso deve alimentar uma disputa política entre oposição e governo, já que o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, e o governador Tarcísio de Freitas defendem romper o contrato, enquanto o ministro Alexandre Silveira já sinalizou ser favorável à renovação. A concessão termina em 2028.
La Nación Argentina O Globo Brasil El Mercurio Chile
El Tiempo Colombia La Nación Costa Rica La Prensa Gráfica El Salvador
El Universal México El Comercio Perú El Nuevo Dia Puerto Rico
Listin Diario República
Dominicana
El País Uruguay El Nacional Venezuela