Martes, 18 de Agosto de 2026

Durigan: ter ‘juros civilizados’ é caminho para o fiscal

BrasilO Globo, Brasil 18 de agosto de 2026

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse ontem que ter "juros civilizados" é ...

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse ontem que ter "juros civilizados" é um dos caminhos para discutir a questão fiscal no Brasil, assim como a oferta de crédito. Para ele, os juros são o principal problema do país. Durigan participou da abertura da 27ª Conferência Anual do Santander, que acontece em São Paulo.
O ministro afirmou que se trata do "desafio do custo do dinheiro", tanto para o Tesouro, que emite e vende títulos públicos, quanto para a sociedade. Ele defendeu que a política fiscal é uma das frentes em que o governo tem maior capacidade para atuar e melhorar as condições econômicas, contribuindo para a queda dos juros.
" Nós vamos ter que endereçar a questão dos juros. Ainda que a gente considere uma série de medidas que explicam ou justificam o juro alto, o que está mais no controle do Estado é a condição fiscal. É a trajetória fiscal que tem que continuar sendo aperfeiçoada " disse ele, defendendo que o país tenha a mesma intolerância com os gastos excessivos que teve no passado com a alta da inflação.
Ele disse que o governo espera colaborar para reduzir os juros, além do prêmio de risco do país:
" Como fizemos um ajuste de aproximadamente dois pontos percentuais do PIB nesta gestão, esse desafio precisa ser replicado daqui para a frente. E, ao demonstrar que nós vamos fazer isso, eu espero que a gente avance para a etapa de redução da taxa de risco.
Durigan tem conversado com o mercado financeiro e investidores para explicar que o ajuste das contas públicas não ficará para o próximo mandato.
" É dar essa tranquilidade, na linha do que já enviamos para o Congresso. Se pegarmos todas as Leis de Diretrizes Orçamentárias desde 2023, temos projetado um caminho para o superávit fiscal, desde sempre " afirmou o ministro, que disse que o governo vai perseguir a trajetória de resultado fiscal prevista no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO). Ele continuou:
" Nós praticamente zeramos o déficit público.
Gatilhos no gasto
O esforço que o ministro citou não foi suficiente para reduzir a trajetória da dívida pública brasileira, que subiu dez pontos percentuais no terceiro mandato do presidente Lula. A dívida representava 71,7% do Produto Interno Bruto (PIB) no fim de 2022 e chegou a 81,9% em junho deste ano.
O ministro acrescentou que o governo colocou duas travas "importantíssimas" para o crescimento dos gastos obrigatórios, que devem ter um impacto de R$ 10 bilhões em 2027 e crescente nos próximos anos.
" Precisamos conter o crescimento dos gastos obrigatórios e estamos fazendo isso. Semana passada embutimos na legislação nacional duas travas importantíssimas. O caminho está muito bem pavimentado, não minimizando os problemas que temos.
Ele se referiu à retirada da receita da comercialização de petróleo do pré-sal do cálculo da Receita Corrente Líquida (RCL) à qual a despesa da saúde está vinculada, se houve déficit primário (receita menos despesa antes do pagamento dos juros da dívida pública) no ano anterior. Também vinculou o crescimento das verbas de fundos como o do Distrito Federal ao limite do arcabouço fiscal, de expansão de 0,6% até 2,5%.
Durante sua fala no evento, Durigan apontou o Brasil como um "porto seguro" energético, fiscal e institucional.
" Com o choque do petróleo, um país que tem os potenciais que nós temos, a matriz de energia elétrica, a entrada dos biocombustíveis, a força da Petrobras, a possível descoberta de óleo na margem equatorial... o Brasil é uma força energética.
Demanda aquecida
No mesmo evento, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que há "diversos indicadores" que demonstram um crescimento puxado pela demanda e resultam em pressão inflacionária:
" Eu acho que o que explica o ciclo da política monetária está muito mais relacionado com questões endógenas, com questões internas mesmo.
Ele disse que o papel do Banco Central é colocar os juros em patamar contracionista para tentar reequilibrar a oferta e demanda.
La Nación Argentina O Globo Brasil El Mercurio Chile
El Tiempo Colombia La Nación Costa Rica La Prensa Gráfica El Salvador
El Universal México El Comercio Perú El Nuevo Dia Puerto Rico
Listin Diario República
Dominicana
El País Uruguay El Nacional Venezuela