Projetos se adaptam aos novos tipos de famílias
Durante décadas, o mercado imobiliário carioca desenhou apartamentos para uma ...
Durante décadas, o mercado imobiliário carioca desenhou apartamentos para uma família que, aos poucos, deixou de ser o retrato predominante do Brasil. Dois quartos, sala, dependências e uma vaga na garagem formavam quase uma receita pronta, pensada para o casal com filhos que, até o início dos anos 2000, estava presente em mais da metade dos domicílios do país.
O Censo 2022 do IBGE mostra o quanto essa fotografia mudou. Em 2000, casais com filhos representavam 56,4% das famílias brasileiras. Em 2022, a participação caiu para 42%. No mesmo período, a fatia dos casais sem filhos praticamente dobrou, de 13% para 24,1%, enquanto o número de pessoas morando sozinhas mais que triplicou: saltou de 4,1 milhões para 13,7 milhões. Desse contingente, mais de 5,6 milhões têm 60 anos ou mais.
A transformação na composição das famílias chegou às pranchetas dos arquitetos e aos projetos das incorporadoras. Afinal, um edifício formado por plantas semelhantes de dois e três quartos já não dá conta de um público cada vez mais diverso. Há o solteiro em busca de um estúdio bem resolvido; o casal sem filhos que prefere transformar a segunda suíte em escritório; o idoso cujos filhos já saíram de casa e não vê sentido em manter tantos cômodos; ou a mãe sem cônjuge " perfil presente em 13,5% das famílias brasileiras ", que está à procura de um apartamento compacto, próximo do trabalho e da escola dos filhos.
Nos lançamentos mais recentes, uma das respostas a essa nova configuração está na multiplicação das tipologias em um mesmo empreendimento. No Arte Wood, da Calper, no bairro planejado Cidade Arte, na Barra Olímpica, são sete tipos de unidades, justamente para acompanhar diferentes formatos e momentos de vida das famílias. O cardápio inclui apartamentos de um, dois e três quartos, double suite, town house, up garden e cobertura.
" Os prédios com mix de tipologias permitem a convivência harmoniosa entre públicos diferentes. E até os investidores começam a ver valor na combinação de metragens diferentes. Um apartamento de três quartos, por exemplo, pode ser alugado por temporada para um grupo de amigos que quer ter um espaço individual, sem abrir mão da área de convivência " pontua a arquiteta do Cidade Arte, Niceli Maini.
Além de diferentes configurações, o empreendimento pode oferecer também uma escala variada de metragens. A combinação amplia ainda mais as possibilidades de adequar o imóvel às necessidades de cada perfil de morador. É essa a proposta do Rebouças Residencial, no Rio Comprido, da NewView Incorporações. Entre estúdios, apartamentos de um e dois quartos e gardens, as plantas variam de 28 a 100 metros quadrados.
" Para desenvolver um projeto, é preciso otimizar a área construída de forma a atender a públicos diferentes. E isso vale também para os apartamentos compactos, porque metragens variadas permitem usos mais personalizados. O produto final torna-se atrativo justamente por ter mais possibilidades de agradar o comprador em potencial " observa o diretor da NewView, Beny Chor.
No Grand Quartier, empreendimento da Patrimar na Barra Olímpica, o leque reúne unidades de dois, três e quatro quartos. Nesse caso, o desafio vai além de oferecer variedade: está em acertar a proporção de cada tipologia para que o conjunto acompanhe, de fato, a demanda do mercado e as diferentes etapas da vida dos compradores.
" O mix de tipologias cria uma possibilidade interessante de jornada do cliente: uma família pode começar em um apartamento de dois quartos e, ao longo dos anos, conforme mudam a renda, as necessidades ou a composição familiar, migrar para uma unidade maior, de três ou quatro quartos, sem renunciar à localização, à infraestrutura e ao estilo de vida " afirma o diretor Comercial da Patrimar no Rio, Gabriel Fidalgo.