Meu programa de governo
Marcelo Barreto
Marcelo Barreto
Tenho um novo bordão no Redação Sportv: "estamos há zero dia sem falar de Copa; nosso recorde é de zero dia". E ele não surgiu do nada, mas do fato óbvio de que ainda não desapegamos. Volta e meia surge uma notícia, como as punições aplicadas à Argentina " adequadas no caso de Paredes, decepcionantes, como sempre, para as ofensas racistas. Outras vezes, a comparação é inevitável. Se um time domina o meio de campo parece a Espanha, se o técnico faz besteira, deu uma de Thomas Tuchel, e por aí vai. E, claro, o futebol mudou depois de seu maior evento. As novas interpretações da regra do jogo, algumas implementadas, outras não, ainda nos confundem um pouco e já tiveram uma grande influência na forma como o esporte preferido do mundo é praticado.
Foi também durante a Copa que comecei a desenvolver minha plataforma para quando for presidente da Fifa por um dia. Pelos desenvolvimentos posteriores, passei a imaginar que o cargo de Gianni Infantino vai ficar disponível em breve, então decidi lançar aqui a campanha eleitoral. Só preciso de um dia para mudar o futebol. Depois, um cartola qualquer pode assumir e cuidar das reuniões com os engravatados do mundo à beira do lago em Zurique.
A primeira medida já foi tema de uma coluna inteira. Parar. O. Cronômetro. O pacote anticera deixou claro o que já penso há muito tempo: se a Fifa quer 60 minutos de bola rolando, que bote alguém para apertar um botão e garantir que sejam 30 por tempo. "Ah, mas aí o time que precisar garantir o resultado vai querer interromper o jogo toda hora" (o futebol é o único esporte cujos especialistas já sabem o que vai acontecer quando a regra mudar). Claro que vão. Como. Já. Fazem. Hoje! Só que não vão ter mais o privilégio de diminuir o tempo de bola rolando com sua estratégia. E o árbitro, que com as novas medidas ganhou ainda mais responsabilidades além dos formulários que precisa preencher para marcar qualquer coisa (DOGSO, quatro Ds e outras burocracias), não vai precisar ficar contando cinco segundos para isso, oito segundos para aquilo " determinações que daqui a pouco, por cansaço, vão botar no bolso.
Ainda na linha de ganhar tempo, a substituição de um jogador deixaria de ser o espetáculo que é hoje. Por que uma partida tem de parar para um sujeito sair de campo " muitas vezes por motivos de estar atuando mal? Se o quinto árbitro já está lá para não deixar ninguém entrar de brinco, levantar placa com os números e contar a quantidade de mexidas, ele que avise ao principal, usando os sistemas de comunicação que se tornaram indispensáveis, sobre o que mudou. Com bola rolando mesmo. E segue o jogo!
Depois dessas mudanças, vem o pacote "antirridículo". Tem coisas que o futebol não pode aceitar, porque simplesmente não ficam bem. Jogador deitado atrás da barreira é a primeira. Futebol se joga em pé, e é assim que todo mundo deve estar quando uma falta for cobrada. A outra é a saída de bola para lateral. Ora, se um time não quer a bola, que a ceda para o adversário. Nem precisa de cara ou coroa " ou quem perder é obrigado a jogar. E, finalmente, fica terminantemente proibido mostrar crianças chorando em gol do adversário nas transmissões de TV.
E tenho dito. Vote em mim!