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As cartas, contendo telefone e endereço do autor, devem ser dirigidas à seção Leitores. O GLOBO, Rua Marquês de Pombal 25, CEP 20.230-240. Pelo fax, 2534-5535 ou pelo e-mail cartas@oglobo.com.br
O time de que sou fã
A polarização política no Brasil se assemelha ao futebol, em que o torcedor julga os lances pautados na paixão devotada ao seu time. O que é claro impedimento para uma torcida é jogada válida para a outra. Se, hipoteticamente, o Lulinha fosse filho do Bolsonaro, e o Flávio, do Lula, com ambos carregando seus rolos na Justiça para os colos paternos " "Dark horse" e rachadinhas do Flávio e injeção de recursos financeiros da antiga Telemar na empresa de tecnologia do Lulinha e o tráfico de influência no governo para vender remédios ", o posicionamento de lulistas e bolsonaristas iria se inverter, ambos os lados iriam naturalizar e passar pano para as ações suspeitas originalmente realizadas pelo filho do adversário, além de, indignado, apontar dedo acusatório para o lado do campo adversário. A diferença, para melhor, do futebol é que agora existe VAR para dirimir dúvidas, já o VAR do campo político, os ministros do Supremo, a decisão depende do juiz que for escalado para julgar o lance, muitas vezes ele só faz deixar o cenário mais enrolado, notadamente quando dá pinta de que está advogando em causa própria, ficando ele próprio sob suspeição por parte de ambos os lados.
José Lerer
Rio
Sem disfarce
André Mendonça nem disfarça suas ações, claramente favoráveis ao candidato filho de um golpista condenado pelo mesmo STF de que faz parte. O candidato em questão declara intenção de passar por cima da Justiça e libertar o pai, quer entregar nossa soberania e riquezas, está atolado em denúncias com o banqueiro Vorcaro, de quem recebeu R$ 61 milhões, recusa-se a comprovar o destino do dinheiro, além de muitas questionáveis atitudes. Apesar de nada comprovado quanto ao filho do presidente Lula, que em nenhum momento passa pano por qualquer tipo de ato ilícito do mesmo, o senhor ministro se mostra bastante empenhado em incriminá-lo e envolver o governo em alguma falcatrua, mas, quanto a seu protegido, nenhuma investigação.
Maria de Lourdes Correa
Rio
No fim a gente vê
O presidente da República tem sido muito assertivo em relação às investigações que pairam sobre seu filho Lulinha quando diz que não vai interferir nas instituições e que, se for comprovado qualquer crime, ele pague por isso. Diferentemente de seu antecessor Jair Bolsonaro, que em reunião ministerial bradou que queriam f... sua família e, se precisasse, "tirava delegado, superintendente da PF e até ministro", Lula mostra " pelo menos através de discursos e entrevistas " que apoia as normas institucionais e republicanas.
João Di Renna
Quissamã, RJ
Fugitivos
Quem não deve não teme. Eis o dito aplicável à recusa de participar de debates eleitorais. Como indivíduos que se propõem a governar o país por quatro anos fogem a um debate público? Isso poderia ser um critério de rejeição.
Patricia Porto da Silva
Rio
Pente no bolso
A decisão de interromper o pente-fino no Bolsa Família é preocupante e não pode ser tratada apenas como uma questão administrativa. Às vésperas de uma disputa eleitoral, qualquer afrouxamento da fiscalização alimenta e reforça suspeitas de uso político de um programa destinado aos mais necessitados. Benefício social não pode ser moeda de troca, instrumento de pressão ou mecanismo de fidelização eleitoral. Quem realmente precisa do Bolsa Família deve ser protegido, mas fraude e manipulação precisam ser combatidas com rigor. Transformar a vulnerabilidade econômica em dependência política é uma das formas mais perversas de clientelismo e de escravidão mesmo. Programa social é direito do cidadão, não favor de governo nem patrimônio eleitoral de quem está no poder.
José Flávio Silva
São Luís, MA
Todos gastadores
Quem critica o governo Lula, entre outros motivos, o acusa de ser gastador. Sem entrar no mérito gostaria de saber que político consegue se manter no poder tendo como plataforma a redução de gasto público. A grande parcela da população quer melhorias ou vantagens que oneram o Orçamento e não aceitam a "desculpa" de que não há dinheiro. Ela ( a massa) estaria certa se o país viesse sendo gerido de forma equilibrada há muitos anos. Um país não é como uma empresa, que, quando em situação difícil, fecha ou quebra. Acho que um bom exemplo é o Zema. No seu discurso de campanha, diz que saneou as finanças de Minas, e está em 3º lugar (no seu próprio estado) nas pesquisas para presidente.
Marta Kuvet
Rio
Festa do caqui
Dois artigos no GLOBO desta segunda-feira espelham a filosofia da esquerda de como enfraquecer uma sociedade pelo evidente exagero e descontrole de suas políticas de proteção: o editorial sobre o Bolsa Família e o artigo de Miguel de Almeida sobre cotas. Ambas são aberturas de portas importantes como políticas públicas, mas que, pela eternização e ampliação assistencialista e eleitoreira, tornam uma sociedade dependente e frouxa. E, pela falte de controle, uma festa do caqui para os espertos. Nenhuma sociedade evoluiu sem um grande esforço conjunto " o mérito é importante " e capitaneado por seus líderes. Proteção demais desprotege, já cantava Rita Lee.
Gabriel F. Padilla
Rio
As universidades deveriam focar na criação de vagas para acomodar todos os candidatos que se mostrarem aptos a cursá-las, não de cotas. O ensino à distância tornou isso possível na maioria dos casos. Como mostra Miguel de Almeida em "Cotas, para que te quero", toda cota implica em injustiças. Aplicadas fora do âmbito escolar, implicam em absurdos injustificáveis e, mesmo, perigosos para a população.
Renato Vilhena de Araujo
Rio
Olho nos falastrões
Essas cenas da mais pura barbárie, envolvendo um linchamento por engano, deveriam servir como alerta contra todos esses candidatos falastrões e valentões e advertência a todos aqueles eleitores que apoiam as bravatas e atrocidades prometidas em campanhas eleitorais. O estilo linha-dura impiedoso de Bukele. O grande Drummond escreveu um poema sobre um leiteiro, confundido com um ladrão, que é assassinado a tiro, por engano, pela manhã, bem cedo. Nada que se compare à abominação perpetrada em plena luz do dia, à vista de todos, contra um suposto ladrão de bicicleta em Copacabana.
Evandro Pagy
Rio
Caos supremo
Parece que o mundo está conturbado. Guerras que não terminam; calor, tempestades, terremotos e incêndios em alguns países; rios secando nos Estados Unidos e na Europa; e, no Brasil, ministros que não se entendem no STF!
alberto cavalcanti
Rio
Foguete terra abaixo
A matéria de Ana Lucia Azevedo sobre a impossibilidade de nós humanos prevermos a chegada de terremotos, tornados e erupções vulcânicas ("Previsão impossível (...)", 24 de agosto) me fez pensar: por que investimos tanto tempo e dinheiro em projetos espaciais, ou seja, voltados para fora da Terra e gastamos somente uns trocados com o que ocorre dentro da Terra? Por quê? Se é dentro da Terra que ocorrem esses descontrolados fenômenos geológicos que cada vez mais causam mortes e destruição.
Já está na hora de inventarem um "foguete" que desça às profundezas do planeta, pelo menos até as placas tectônicas, assim como os espaciais sobem para alcançar as altitudes de Marte. Talvez estejamos precisando de um professor Lidenbrock.
Carlos Eduardo Novaes
Rio
Lições de um ancião
Que sábias considerações sobre o envelhecer de Nilton Molina ("O país que envelhece antes de enriquecer", 24 de agosto). Aos 90 anos, lúcido, experiente, otimista, é um exemplo a ser seguido. Candidatos às próximas eleições, prestem atenção às lições ali oferecidas.
Sonia Linhares de Godoy Alves
Rio
Em vez de farmácias
Feliz, li as cartas de leitores elogiando a coluna de Eduardo Affonso sobre o prazer da leitura e as "casas" que nos fazem manter o delicioso hábito de comprar um livro físico. Por isso me junto a Regina Lúcia Tilio no pedido que faz para que os moradores de Copacabana sejam beneficiados com a abertura de, ao menos, uma livraria. Por que o desinteresse dos livreiros pela Princesinha do Mar? Tenho certeza de que mais que recorrer às dezenas de drogarias e farmácias, os meus vizinhos se sentiriam mais saudáveis e felizes se contassem com uma boa livraria por perto.
Maria Cecília Figueiró Silveira
Rio