Veto da ue a carnes do brasil começa a valer na quinta-feira
Começa a vigorar esta semana a suspensão das importações de carnes e produtos de origem ...
Começa a vigorar esta semana a suspensão das importações de carnes e produtos de origem animal do Brasil anunciada em maio pela União Europeia (UE). Na ocasião, o país foi retirado da lista de nações autorizadas a exportar com o argumento de que a pecuária brasileira não cumpre as regras sanitárias do bloco europeu relacionadas ao uso de medicamentos antimicrobianos (antibióticos). A UE diz que não há comprovação de rastreabilidade de produtos nos níveis exigidos, e incluiu no veto mel e pescados do Brasil. Se não for revertida, a suspensão passa a valer a partir de quinta-feira.
Segundo a agência France Press, a Comissão Europeia (órgão executivo da UE), aguarda garantias brasileiras sobre o cumprimento das normas sanitárias do bloco. No caso das aves e do mel, uma auditoria está em andamento e deve ser concluída na sexta-feira.
OTIMISMO SOBRE O MEL
Renato Azevedo, presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), confia que o Brasil voltará à lista dos países liberados. Para o executivo, há sinais de "boa vontade" por parte dos europeus. Um dos sinais, avalia, foi a decisão de que a entrada em vigor da nova lista de países aptos a exportar para a Europa levará em conta a data de embarque dos produtos no Brasil. Ou seja, remessas embarcadas até o dia 3 poderão entrar nos países da UE mesmo após a data limite.
" Enxergo que estão flexibilizando. Se os europeus vissem problemas sanitários no mel, não flexibilizariam essas coisas " disse Azevedo, frisando que o problema apontado pelos técnicos da UE, desde o início, foi relacionado a regras de comprovação de fiscalização.
Em torno de 90% das exportações brasileiras de mel para todo o mundo são de orgânicos, que já têm uma certificação rigorosa. Mesmo que a fiscalização sobre o uso de antimicrobianos " que, segundo Azevedo, passam longe da produção nacional de mel " seja diferente, já é uma demonstração de alto padrão.
O maior mercado para o mel brasileiro no mundo é, de longe, os EUA. Após o tarifaço de Donald Trump, os embarques para a Europa até aumentaram, de cerca de 5% do valor total exportado (cerca de US$ 120 milhões) para em torno de 10%, segundo a Abemel.
Em relação a outros produtos, como carnes, a liberação pode ser complexa, porque é preciso demonstrar aos técnicos europeus que há fiscalização ao longo de todo o ciclo de produção. No caso das aves, são alguns meses, mas no de bovinos, mais de um ano.
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou em nota que "acompanha, junto ao governo brasileiro, o andamento da missão europeia para inspeção do sistema brasileiro relativo à produção de carne de frango, que ocorreu de maneira satisfatória até aqui". A entidade garante que "a avicultura brasileira já cumpre integralmente todos os requisitos determinados pela UE para as importações de carne de frango".
A Abiec, que representa os exportadores de carne bovina, informou que só comentará o assunto após o início da vigência da medida.
Procurado, o Ministério da Agricultura não se manifestou. (Vinícius Neder)