Martes, 01 de Septiembre de 2026

Após fazer história, messi dá adeus à argentina; e agora?

BrasilO Globo, Brasil 1 de septiembre de 2026

A.M./D.M.

A.M./D.M.
O que o mundo do futebol já dava como certo, ontem se materializou: Lionel Messi anunciou a aposentadoria da seleção argentina. Em suas redes sociais, o meia publicou a carta que, segundo ele, estava escrita desde 21 de julho, dois dias após a derrota para a Espanha na final da Copa do Mundo.
"Depois de todo esse tempo desde a final, e após muita reflexão, quero anunciar a todos que estou me aposentando da seleção… Foi uma decisão que doeu, e ainda dói na alma, mas entendo que é o momento certo", comunicou o jogador.
O "momento certo" é o fim de seu sexto Mundial, a morte do pai Jorge, que sempre atuou como seu tutor ao longo da carreira, e o início de mais um ciclo da seleção. Aos 39 anos e sem a energia de antes para vestir a camisa albiceleste por mais quatro anos, Messi quer sair de cena agora para que uma nova geração possa entrar sem a pressão de uma taça para disputar em breve (o próximo torneio será a Copa América de 2028).
"Não resta muito tempo, e capítulos estão se fechando. Este é um que me dói muito. Amo, amei e sempre amarei estar na seleção. Dei tudo de mim. Não tenho mais nada a dar e, além disso, há alguns jovens jogadores incríveis surgindo depois de mim que merecem estar lá", continuou o ídolo argentino em sua carta.
O buraco que Messi deixa na Argentina é do tamanho de sua importância. Da estreia, há 21 anos, num amistoso contra a Hungria em que atuou por menos de um minuto, até a final da Copa de 2026, foram 125 gols (é o único jogador sul-americano a chegar à marca de 100 por uma seleção) e 65 assistências em 207 partidas. Além da conquista da Copa de 2022 e dos vices nas de 2014 e de 2026, o agora ex-capitão comandou a equipe no bi da Copa América de 2021 e de 2024 e na Finalíssima de 2022.
"Juro que sempre deixei tudo de mim, não apenas nos últimos anos em que conquistamos tudo, mas também antes disso. Sempre lutei e me entreguei por esta camisa, para dar alegria a vocês e fazer com que se sintam orgulhosos de ser argentinos através do futebol", escreveu.
Hoje, nenhum argentino discute mais quem foi o maior entre ele e Maradona. Os mais jovens tratam La Pulga como o maior de todos. Já os mais velhos " ou os torcedores do Boca Juniors, que têm Diego como grande ídolo " defendem que os dois dividem, cada um a seu modo, um lugar no olimpo hermano.
Chega a ser curioso lembrar que, por anos, essa comparação perseguiu Messi. Até a conquista da Copa América de 2021, ele era cobrado por não ser vitorioso com a seleção da mesma forma que havia sido pelo Barcelona. Um peso que o levou a anunciar, após o vice da Copa América de 2016, que não vestiria mais a camisa albiceleste " muito mais um desabafo no calor do momento do que uma decisão definitiva, como o tempo logo trataria de mostrar.
"Existem histórias que transcendem resultados, recordes e títulos. Existem histórias que se tornam parte da identidade de um país. A história de Lionel Messi com a seleção argentina é uma delas", escreveu a AFA (Associação do Futebol Argentino) num texto de agradecimento publicado em suas redes sociais.
A entidade parece ter sido pega de surpresa. Um jogo de despedida ainda não vinha sendo planejado. Pelo contrário. A AFA negociava amistosos na China para a próxima data Fifa, entre setembro e outubro. Com a aposentadoria de La Pulga, os chineses perderam o interesse.
Mas a seleção perde muito mais do que um ativo de marketing. O desafio agora é aprender a andar com as próprias pernas. Para isso, precisa antes definir o futuro de Lionel Scaloni, cujo contrato vai até dezembro. Renovar com o treinador da era mais vitoriosa da albiceleste virou prioridade, já que o pós-Messi sem ele promete ser ainda mais desafiador.
Ao contrário do que ocorreu no adeus de Maradona, a seleção argentina não começará este período do zero. O elenco ainda conta com outras lideranças campeãs e vice mundiais, como De Paul, Enzo Fernández, Lautaro Martínez, Mac Allister, Julián Álvarez e Dibu Martínez, que poderão guiar os mais jovens.
A camisa 10 pode até ser aposentada em um primeiro momento. Mas, como a Fifa exige numeração de 1 a 26 na Copa, é certo que ela voltará a ser usada. Candidatos a herdá-la não faltam. Nico Paz, do Como 1907, da Itália, é uma das principais apostas entre os argentinos para ser o sucessor de Messi. Tanto que Scaloni esperou até o último instante que ele se recuperasse de uma lesão e o convocou para a última Copa.
Thiago Almada, agora no River Plate; e Franco Mastantuono, emprestado à Fiorentina pelo Real Madrid, também são cotados. O último, inclusive, usou a 10 contra o Equador, na última rodada das Eliminatórias. Do experientes, Mac Allister e Álvarez são os mais lembrados.
No time, a mudança não tende a ser drástica. Messi já vinha atuando na frente, formando dupla de ataque com um centroavante. Com sua saída, a tendência é que Lautaro e Álvarez passem a atuar juntos. O desafio será compensar a perda de qualidade técnica.
La Nación Argentina O Globo Brasil El Mercurio Chile
El Tiempo Colombia La Nación Costa Rica La Prensa Gráfica El Salvador
El Universal México El Comercio Perú El Nuevo Dia Puerto Rico
Listin Diario República
Dominicana
El País Uruguay El Nacional Venezuela