Após fazer história, messi dá adeus à argentina; e agora?
A.M./D.M.
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O que o mundo do futebol já dava como certo, ontem se materializou: Lionel Messi anunciou a aposentadoria da seleção argentina. Em suas redes sociais, o meia publicou a carta que, segundo ele, estava escrita desde 21 de julho, dois dias após a derrota para a Espanha na final da Copa do Mundo.
"Depois de todo esse tempo desde a final, e após muita reflexão, quero anunciar a todos que estou me aposentando da seleção… Foi uma decisão que doeu, e ainda dói na alma, mas entendo que é o momento certo", comunicou o jogador.
O "momento certo" é o fim de seu sexto Mundial, a morte do pai Jorge, que sempre atuou como seu tutor ao longo da carreira, e o início de mais um ciclo da seleção. Aos 39 anos e sem a energia de antes para vestir a camisa albiceleste por mais quatro anos, Messi quer sair de cena agora para que uma nova geração possa entrar sem a pressão de uma taça para disputar em breve (o próximo torneio será a Copa América de 2028).
"Não resta muito tempo, e capítulos estão se fechando. Este é um que me dói muito. Amo, amei e sempre amarei estar na seleção. Dei tudo de mim. Não tenho mais nada a dar e, além disso, há alguns jovens jogadores incríveis surgindo depois de mim que merecem estar lá", continuou o ídolo argentino em sua carta.
O buraco que Messi deixa na Argentina é do tamanho de sua importância. Da estreia, há 21 anos, num amistoso contra a Hungria em que atuou por menos de um minuto, até a final da Copa de 2026, foram 125 gols (é o único jogador sul-americano a chegar à marca de 100 por uma seleção) e 65 assistências em 207 partidas. Além da conquista da Copa de 2022 e dos vices nas de 2014 e de 2026, o agora ex-capitão comandou a equipe no bi da Copa América de 2021 e de 2024 e na Finalíssima de 2022.
"Juro que sempre deixei tudo de mim, não apenas nos últimos anos em que conquistamos tudo, mas também antes disso. Sempre lutei e me entreguei por esta camisa, para dar alegria a vocês e fazer com que se sintam orgulhosos de ser argentinos através do futebol", escreveu.
Hoje, nenhum argentino discute mais quem foi o maior entre ele e Maradona. Os mais jovens tratam La Pulga como o maior de todos. Já os mais velhos " ou os torcedores do Boca Juniors, que têm Diego como grande ídolo " defendem que os dois dividem, cada um a seu modo, um lugar no olimpo hermano.
Chega a ser curioso lembrar que, por anos, essa comparação perseguiu Messi. Até a conquista da Copa América de 2021, ele era cobrado por não ser vitorioso com a seleção da mesma forma que havia sido pelo Barcelona. Um peso que o levou a anunciar, após o vice da Copa América de 2016, que não vestiria mais a camisa albiceleste " muito mais um desabafo no calor do momento do que uma decisão definitiva, como o tempo logo trataria de mostrar.
"Existem histórias que transcendem resultados, recordes e títulos. Existem histórias que se tornam parte da identidade de um país. A história de Lionel Messi com a seleção argentina é uma delas", escreveu a AFA (Associação do Futebol Argentino) num texto de agradecimento publicado em suas redes sociais.
A entidade parece ter sido pega de surpresa. Um jogo de despedida ainda não vinha sendo planejado. Pelo contrário. A AFA negociava amistosos na China para a próxima data Fifa, entre setembro e outubro. Com a aposentadoria de La Pulga, os chineses perderam o interesse.
Mas a seleção perde muito mais do que um ativo de marketing. O desafio agora é aprender a andar com as próprias pernas. Para isso, precisa antes definir o futuro de Lionel Scaloni, cujo contrato vai até dezembro. Renovar com o treinador da era mais vitoriosa da albiceleste virou prioridade, já que o pós-Messi sem ele promete ser ainda mais desafiador.
Ao contrário do que ocorreu no adeus de Maradona, a seleção argentina não começará este período do zero. O elenco ainda conta com outras lideranças campeãs e vice mundiais, como De Paul, Enzo Fernández, Lautaro Martínez, Mac Allister, Julián Álvarez e Dibu Martínez, que poderão guiar os mais jovens.
A camisa 10 pode até ser aposentada em um primeiro momento. Mas, como a Fifa exige numeração de 1 a 26 na Copa, é certo que ela voltará a ser usada. Candidatos a herdá-la não faltam. Nico Paz, do Como 1907, da Itália, é uma das principais apostas entre os argentinos para ser o sucessor de Messi. Tanto que Scaloni esperou até o último instante que ele se recuperasse de uma lesão e o convocou para a última Copa.
Thiago Almada, agora no River Plate; e Franco Mastantuono, emprestado à Fiorentina pelo Real Madrid, também são cotados. O último, inclusive, usou a 10 contra o Equador, na última rodada das Eliminatórias. Do experientes, Mac Allister e Álvarez são os mais lembrados.
No time, a mudança não tende a ser drástica. Messi já vinha atuando na frente, formando dupla de ataque com um centroavante. Com sua saída, a tendência é que Lautaro e Álvarez passem a atuar juntos. O desafio será compensar a perda de qualidade técnica.