Domingo, 06 de Septiembre de 2026

Amd quer fornecer chips para supercomputador do brasil

BrasilO Globo, Brasil 6 de septiembre de 2026

A empresa americana de processadores AMD tem interesse em fornecer componentes para o ...

A empresa americana de processadores AMD tem interesse em fornecer componentes para o supercomputador de inteligência artificial (IA) do governo federal, cujo investimento previsto é de R$ 1,06 bilhão. A máquina será comprada por meio de edital e ficará instalada no Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo, em Macaíba (RN).
" Já estamos trabalhando (no tema). É um edital que foi elaborado durante muito tempo, e fornecemos informações ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação conforme nos solicitavam. Iremos participar por meio dos nossos parceiros " conta ao GLOBO Sergio Santos, diretor-geral da AMD no Brasil.
Entre os parceiros da companhia estão HP, Lenovo e Dell, que, em processos do tipo, montam propostas de clusters, equilibrando tecnologia e custo. A AMD fornece componentes para essas empresas. Santos afirma que sua companhia consegue ter um alto grau de competitividade em compras governamentais:
"Várias empresas vão oferecer seus projetos, e tenho certeza de que a AMD vai estar em alguns deles.
Venda de CPUs
Quando se fala em supercomputadores de IA, é comum associar esses equipamentos às GPUs, os chips usados no treinamento das máquinas, cujo mercado é quase completamente dominado pela Nvidia " estima-se que a companhia tenha entre 80% e 90% do mercado global de componentes, enquanto a AMD tenha apenas 5%.
No entanto, a empresa enxerga oportunidades na venda de CPUs, os tradicionais componentes de processamento de computadores. Isso ocorre porque a demanda por esses chips aumenta à medida que as respostas e tarefas realizadas por agentes de IA ficam mais sofisticadas " no jargão, o trabalho que uma IA executa para chegar a uma resposta é chamado de inferência.
O supercomputador brasileiro prevê treinamento e inferência de sistemas de IA. Durante o treinamento de modelos, data centers normalmente utilizam uma proporção de oito GPUs para cada CPU. Com o aumento da demanda por inferência, essa taxa está se aproximando de uma GPU para cada unidade de CPU.
Com mais atividades autônomas de modelos de IA, agora chamados de "agentes", tarefas que exigem CPU estão em alta. Entre elas estão execução de código, navegação e busca na web e uso de APIs " é um cenário bem mais avançado em comparação ao período de perguntas e respostas a chatbots de IA.
Atualmente, a AMD tem cerca de 30% do mercado global de CPUs " a Intel tem 66%. Mesmo que não lidere nem o mercado de CPUs nem o de GPUs, Santos destaca uma vantagem da sua companhia:
" Somos os únicos a fornecer os dois tipos de componentes e podemos oferecer soluções de forma integrada. Mas essa escolha será das empresas parceiras.
A licitação do supercomputador brasileiro de IA deve ser concluída entre novembro deste ano e fevereiro de 2027, com implantação dos equipamentos até o fim do ano que vem.
Entre os 10 mais potentes
Segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, a máquina estará entre as dez mais potentes do mundo para processamento de IA. A estrutura será voltada a empresas, universidades, instituições de pesquisa e órgãos públicos. A expectativa é que ajude a reduzir a dependência de empresas estrangeiras de processamento de dados.
Outra frente de negócios que gera expectativa no líder da AMD no país é a OpenAI. A companhia de Sam Altman inaugurou sua operação de negócios no Brasil no começo do mês passado, e a proximidade física abre a possibilidade de a AMD fornecer componentes caso a empresa do ChatGPT decida construir data centers.
" Isso é uma opinião pessoal, não o posicionamento da AMD. Mas acho possível que eles construam data centers no Brasil com componentes da AMD " diz Santos.
Em outubro do ano passado, a OpenAI e a AMD fecharam uma parceria para o fornecimento global de GPUs. O acordo estava avaliado em até US$ 160 milhões, com a previsão da criadora do ChatGPT ficar com até 10% das ações da fabricante de componentes.
Não foram divulgados quais data centers da OpenAI receberão os chips. Atualmente, a gigante só tem um projeto de data center anunciado para a América do Sul. Fica na Argentina e está avaliado em US$ 25 bilhões. (Bruno Romani)
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