Viernes, 18 de Septiembre de 2026

Governador oposicionista revive ‘chachos’ e desafia milei

BrasilO Globo, Brasil 18 de septiembre de 2026

Um dos governadores de oposição mais veementes da Argentina está reintroduzindo uma moeda ...

Um dos governadores de oposição mais veementes da Argentina está reintroduzindo uma moeda local que só pode ser usada dentro de sua província, reforçando um modelo econômico intervencionista justamente quando o presidente Javier Milei tenta convencer os investidores de que o país adotou de forma definitiva o livre mercado. O governador Ricardo Quintela está distribuindo "chachos", como são chamadas as cédulas, para cerca de 80 mil funcionários públicos e outros beneficiários em La Rioja, uma pequena e empobrecida província situada no extremo leste da Cordilheira dos Andes.
Os trabalhadores receberão um pagamento adicional de 50 mil chachos por mês " cerca de US$ 33, ou quase 10% do salário médio local " até o fim do ano, revivendo uma iniciativa para sustentar o consumo que Quintela, uma importante liderança do Partido Peronista, lançou pela primeira vez em 2024.
ARGENTINOS PARA TRÁS
O retorno do chacho, que circula a uma taxa de câmbio de um para um com o peso, expõe uma realidade persistente que se encontra logo abaixo da transformação promovida por Milei na Argentina. Ele pode ter conseguido reduzir drasticamente a burocracia, estabilizar a economia devastada pela inflação e impulsionar um boom nas exportações de commodities, mas o crescimento da economia em geral continua fraco e os novos empregos são escassos, deixando muitos argentinos com a sensação de terem ficado para trás.
Isso abre espaço político para o modelo intervencionista, há muito promovido pela oposição peronista, que Milei está tentando eliminar.
Afundada em uma situação de inadimplência desde 2024, La Rioja representa essa abordagem alternativa em sua forma mais extrema. Há mais de três funcionários do setor público para cada trabalhador formal do setor privado, segundo dados do governo nacional, fazendo do governo local o principal motor do crescimento.
A província administra uma ampla rede de empresas controladas pelo Estado e rejeitou os principais incentivos de Milei para investimentos, enquanto regiões vizinhas atraíram compromissos de mais de US$ 15 bilhões em investimentos no setor de mineração.
Quintela descreveu o chacho como um "ato de rebeldia" e ameaçou reverter as reformas de Milei caso os peronistas consigam derrotá-lo nas eleições do próximo ano.
"Os investidores precisam ser avisados: o peronismo vai revisar absolutamente tudo", disse ele em uma entrevista a uma rádio no mês passado. "Tudo o que precisar ser nacionalizado, nós vamos nacionalizar. Tudo o que precisar ser expropriado, nós vamos expropriar. Nós vamos tomar de volta."
Milei parece não se incomodar. "O peronismo sempre propõe gastar mais", escreveu o presidente no X depois que a província anunciou o retorno do chacho. "E sempre propõe pagar por essas ilusões imprimindo dinheiro."
O líder provincial colocou em circulação cerca de 4 bilhões de chachos no último mês, no valor aproximado de US$ 3 milhões. Legalmente, ele poderia ir muito além: os legisladores locais autorizaram a emissão de até 85 bilhões (US$ 50 milhões) até dezembro deste ano.
Até agora, Quintela está sozinho em seus esforços.
Embora outras províncias também tenham emitido suas próprias cédulas no passado, principalmente durante crises como o colapso da paridade entre o dólar e o peso no início dos anos 2000, La Rioja é a única a fazê-lo nos últimos 20 anos.
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