Miércoles, 23 de Septiembre de 2026

Com resíduo do milho, o agro agora já está até no asfalto

BrasilO Globo, Brasil 22 de septiembre de 2026

Quem dirige no Brasil pode já ter passado nos últimos meses por um asfalto um pouco ...

Quem dirige no Brasil pode já ter passado nos últimos meses por um asfalto um pouco diferente. Não no aspecto, mas na composição. Desde 2025, a Petrobras começou a produzir cimento asfáltico de petróleo (CAP) com conteúdo renovável, utilizando um subproduto da agroindústria de milho. O resíduo começou a ser usado neste ano como diluente na produção de asfalto na refinaria de São José dos Campos (SP), a Revap, substituindo derivados minerais fósseis.
O insumo é o óleo técnico de milho, conhecido como TCO, que é resultado do processamento e fermentação do cereal nas usinas que produzem etanol a partir do grão. O TCO é diferente do óleo de milho de cozinha e tem elevado nível de acidez, o que permite substituir diluentes de origem fóssil na produção do asfalto.
Os diluentes são usados na produção de cimento asfáltico para aumentar a penetração nas superfícies e reduzir a viscosidade, explica Carolina Oliveira, gerente de Planejamento de Marketing e Inteligência de Mercado da Petrobras.
Parque industrial
Até o momento, a Petrobras já produziu 95 mil toneladas de CAP renovável, o que seria suficiente para asfaltar uma distância equivalente à ida e volta entre São Paulo e Rio. O uso de matéria-prima renovável está longe de ser representativo na produção de asfalto na Petrobras: responde, no momento, por entre 1% e 2% das matérias-primas usadas.
Ainda assim, a Petrobras optou por matéria-prima cujo mercado oferecesse garantia de oferta elevada e constante. A oferta do TCO cresce na esteira da ampliação do parque industrial de etanol de milho.
A instalação de usinas de milho, principalmente no Centro-Oeste, para aproveitar a sobreoferta do cereal, já fez com que a capacidade industrial de etanol de milho no país crescesse 7.121% em dez anos, segundo dados da União Nacional do Etanol de Milho (Unem). Em média, o processamento de uma tonelada de milho gera 18 quilos de TCO.
" O TCO está em um bom momento de oferta, complementar ao etanol de milho " diz Carolina, da Petrobras.
A estatal formalizou contrato para comprar TCO da Inpasa, a maior produtora de etanol de milho do Brasil. O aumento da oferta tem permitido ao TCO ser competitivo em relação a outras opções, como o óleo de soja. Uma tonelada de TCO é comercializada em torno de R$ 6,5 mil.
A vantagem do TCO, segundo Carolina, é a oferta em alta. Apenas a Inpasa, que está construindo duas usinas e expandindo uma terceira, deve aumentar sua capacidade total de TCO das atuais 340 mil toneladas para 450 mil toneladas até 2027, diz Rafael Verruck, diretor de Trading de Óleo e DDGS (grãos secos de destilaria) da empresa. O TCO também é usado em algumas indústrias de biodiesel, diesel verde e de combustível sustentável de aviação (SAF).
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