Home office mais que dobra no brasil, diz ibge
O trabalho em home office mais que dobrou no Brasil em pouco mais de uma década. No ano passado, ...
O trabalho em home office mais que dobrou no Brasil em pouco mais de uma década. No ano passado, 6,65 milhões de brasileiros trabalhavam principalmente de casa, o equivalente a 7,9% do total de ocupados no país. Em 2012, esse percentual era de 3,6%. Em 2022, com a pandemia, atingiu o recorde de 8,4%. Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada ontem pelo IBGE.
O IBGE pergunta qual o local principal de trabalho. Por isso, o total de pessoas em home office (7,9%) não corresponde a todas que fazem algum tipo de trabalho remoto. Quem adota um regime híbrido, por exemplo, mas passa mais tempo no escritório do que em casa, pode ter respondido o ambiente da empresa como seu local principal.
Em 2025, 60% dos ocupados trabalhavam principalmente no estabelecimento do próprio empreendimento. Outros 13,8% exerciam a atividade em local designado pelo patrão ou cliente, enquanto 8,4% estavam em fazendas, granjas ou chácaras.
Apenas 7,9% trabalhavam de casa, enquanto 5% tinham veículos como principal local de trabalho, e outros 2,1% atuavam em área pública. Os 2,6% restantes estavam em outros locais, como casa do patrão ou estabelecimento de outro empreendimento.
redução paulatina
A série histórica do IBGE, iniciada em 2012 e retomada em 2022, após uma breve interrupção em 2020 e 2021, mostra como o trabalho remoto mudou entre as capitais. Embora São Paulo ainda lidere com folga, seus números têm recuado.
A capital paulista tinha 887 mil pessoas trabalhando principalmente de casa em 2022. O contingente caiu para 635 mil em 2023, 586 mil em 2024 e chegou a 543 mil em 2025. A cidade continua muito à frente das demais capitais, mas perdeu 344 mil trabalhadores em home office em três anos.
O Rio de Janeiro teve trajetória semelhante: eram 294 mil em 2022, 336 mil em 2023, 317 mil em 2024, recuando para 287 mil em 2025.
Entre 2022 e 2024, Fortaleza estava na terceira posição entre as capitais com mais trabalhadores em home office, mas a cidade perdeu o posto para Belo Horizonte no ano passado, com 168 mil, contra 117 mil da capital cearense.
Também registraram aumento Brasília, com 122 mil, e Porto Alegre, com 115 mil, quase o dobro do registrado em 2022.
Recife avançou para o nono lugar, com 98 mil, enquanto Goiânia chegou a 84 mil, em décimo.
Já Curitiba fez o caminho inverso. A capital paranaense, que chegou à quinta posição em 2024, terminou o ano passado em sétimo lugar, com 106 mil trabalhadores, 20 mil a menos.
Recuo em Florianópolis
A fotografia muda, no entanto, quando se leva em conta o tamanho do mercado de trabalho. Uma cidade pode ter menos pessoas em home office em números absolutos, mas apresentar uma proporção superior à de outras.
A capital gaúcha lidera em proporção de trabalhadores em home office. Em 2025, 18,7% dos ocupados em Porto Alegre trabalhavam principalmente de casa, quase um em cada cinco. A cidade passou a ocupar o topo do ranking proporcional, à frente de Recife (15,4%) e Belo Horizonte (15,2%).
Florianópolis, que havia liderado o ranking nos três anos anteriores, caiu para a quarta posição, com 13,7%.
Na sequência, aparecem Curitiba (12,3%), Belém (11,9%), Fortaleza (11,8%), Goiânia e João Pessoa (11,6% cada). O Rio de Janeiro está na 12ª posição, com 10,3%.
E São Paulo, apesar de concentrar o maior número absoluto de trabalhadores em home office entre as capitais, fica na 18ª posição quando se considera a parcela de ocupados nessa condição: 9,3%.
Os números do IBGE mostram que o salto do trabalho remoto durante a pandemia não se sustentou nos anos seguintes. Ao mesmo tempo, o home office se consolidou em um patamar bem superior ao observado no início da série, em 2012.