Aportes da gda podem ser convertidos em 90% da saf
O Botafogo e a GDA Luma têm um acordo assinado que estabelece a estrutura para uma ...
O Botafogo e a GDA Luma têm um acordo assinado que estabelece a estrutura para uma eventual entrada do grupo no controle da SAF alvinegra. O documento prevê que os investimentos realizados pela empresa sejam convertidos integralmente em participação societária e projeta, ao fim do processo, uma composição acionária de 90% para a GDA e 10% para o clube. Isso, porém, não significa que a transferência do controle já esteja contratada ou que o grupo de Gabriel de Alba esteja obrigado a concluir a operação, apurou o GLOBO.
A dúvida sobre o estágio da negociação surgiu após a divulgação do relatório mais recente da recuperação judicial da SAF, publicado no último dia 21. Em resposta a um questionamento sobre a formalização de um acordo com a GDA, a administração judicial afirma que, até o momento, "não foi celebrado qualquer acordo vinculante para aquisição do controle acionário" da empresa pelo grupo.
A reportagem apurou que o documento já firmado é um term sheet vinculante, instrumento que estabelece as condições e a estrutura da operação pretendida, mas não equivale ao contrato definitivo necessário para implementá-la. O entendimento vai além do empréstimo já concedido pela GDA e de uma simples manifestação de interesse: prevê uma recapitalização da SAF, com a conversão dos investimentos em equity (participação) e a consequente mudança de sua composição acionária.
O relatório da recuperação judicial, por sua vez, afirma que o instrumento efetivamente formalizado entre as partes no âmbito do processo é o financiamento na modalidade DIP, mecanismo que permite a empresas em recuperação obter novos recursos para manter suas atividades.
Passivo bilionário
Os créditos decorrentes do DIP poderão ser convertidos futuramente em ações, conforme a estrutura prevista para a operação, mas a efetivação da mudança de controle ainda depende de outras etapas e de um acordo global envolvendo Botafogo, GDA e Eagle Bidco.
O mesmo relatório aponta que a SAF encerrou julho de 2026 com passivo total de aproximadamente R$ 3,5 bilhões. Entre os principais compromissos estão cerca de R$ 967 milhões em obrigações relacionadas a negociações de jogadores, R$ 715 milhões em empréstimos e financiamentos, R$ 482 milhões em dívidas tributárias e R$ 835 milhões em provisões de repasses futuros, conforme noticiou o blog do Diogo Dantas no GLOBO.
Os números ganham importância diante da situação de caixa projetada pela própria SAF para os próximos meses. Ao atualizar o fluxo de caixa de 2026 e 2027, o Botafogo informou à administração judicial que algumas vendas de atletas previstas para o segundo semestre deste ano não foram realizadas e foram reprogramadas para janeiro e fevereiro de 2027. Segundo a SAF, essas receitas não foram retiradas das premissas do fluxo, mas apenas deslocadas no tempo.
A consequência é uma necessidade maior de liquidez no segundo semestre deste ano, até a entrada dos recursos previstos para o início de 2027.