Yduqs e afya criam gigante do ensino avaliada em r$ 9,3 bi
A fusão entre a Yduqs, dona de Estácio e Ibmec, e a Afya, de medicina, listada na Nasdaq, ...
A fusão entre a Yduqs, dona de Estácio e Ibmec, e a Afya, de medicina, listada na Nasdaq, em Nova York, dará origem a uma gigante em valor de mercado no setor de ensino no Brasil. Combinadas, as duas empresas valiam R$ 9,3 bilhões na quarta-feira, acima do dobro da atual líder no setor na B3, a Cogna Educação (R$ 4,6 bilhões), mostra levantamento de Einar Rivero, CEO da Elos Ayta Consultoria, a pedido do GLOBO.
A conclusão do negócio está sujeita à analise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão de defesa da concorrência, e deve ocorrer em até 12 meses após a assinatura do acordo. Juntas, as empresas somam R$ 9,4 bilhões em receita.
A estimativa é que a fusão possa gerar entre R$ 2 bilhões e R$ 2,2 bilhões em sinergias, com 80% dessa soma podendo ser alcançados nos primeiros três anos após o fechamento da operação. O racional do negócio é criar complementariedade que permita a expansão das operações. Com o aumento no número de cursos de Medicina no país e a maior concorrência no segmento, a Afya ganharia escala operacional. Já a Yduqs agregaria uma rede de ponta na área de saúde.
" Estamos criando a maior plataforma de ensino superior do Brasil, aumentando a nossa exposição aos programas premium. Essa união vai potencializar as oportunidades que já existem " disse Rossano Leandro, CEO da Yduqs, em videoconferência com analistas.
Pelos termos da transação, a Afya será incorporada pela Yduqs e, posteriormente, extinta. A companhia seguirá listada no Novo Mercado da B3. Ao fim da transação, porém, os acionistas da Afya ficarão com 69% do negócio. Os 31% restantes caberão aos da Yduqs.
Com a combinação de negócios, a estrutura acionária vai mudar. O grupo alemão Bertelsmann, controlador da Afya, será o acionista de referência da nova companhia, com 47,3% do capital. O Bertelsmann é um conglomerado alemão que atua em 50 países nas áreas de mídia, serviços e educação. É dono de canais de TV, rádio e streaming, da editora Penguin Random House " que no Brasil controla a Companhia das Letras, além da BMG, de direitos musicais. Em 2025, o lucro da companhia superou € 1 bilhão.
A família Esteves, sócia da Afya, terá 7,6% da nova empresa. Do lado da Yduqs, a Advent, hoje com 17,1%, passará a deter 5,3% do grupo pós-fusão, enquanto a família Zaher, que soma 15,5% da empresa do Rio, terá 4,8%.
Liderado pelo ‘premium’
Kay Krafft, CEO da Bertelsmann Education, assumirá a presidência do novo conselho de administração, enquanto Virgilio Gibbon, CEO da Afya, vai liderar a companhia combinada. Rossano Marques, CEO da Yduqs, vai atuar como presidente em ensino superior, com exceção de Medicina.
Será uma virada de chave no resultado do grupo. Atualmente, a receita gerada pelas unidades premium da Yduqs " Idomed e Ibmec " representa 32% da receita total. Com a fusão, a fatia vai saltar a 55%, abocanhando dois terços da geração de caixa. Isso vai transformar a companhia em "um negócio liderado pelo premium", afirma Leandro:
" É um segmento de negócio bastante rentável, resistente a movimentos macroeconômicos ao longo dos tempos, e com relevante potencial de crescimento.
A Medicina é o segmento premium do ensino superior privado. Na Idomed, unidade de Medicina da Yduqs, o tíquete médio de um aluno matriculado há mais de um ano foi de R$ 13.037 no primeiro semestre. Nos demais cursos presenciais, a mensalidade média ficou em R$ 973. A Yduqs soma 11,8 mil alunos em Medicina, ante 380 mil no presencial.
A Afya opera 63 campi na área de saúde no Brasil, 32 com cursos de Medicina e 25 oferecendo pós-graduação e educação continuada em áreas de saúde e médicas. A nova companhia vai totalizar 38 mil alunos de Medicina, com 5,9 mil vagas anuais, ou 12% das mais de 50 mil autorizadas pelo governo no país. Ao todo, serão 176 campi em 26 estados do Brasil, reunindo 1,6 milhão de estudantes.
" Vejo essa operação como uma combinação de competências. A Yduqs traz plataforma muito maior e diversificada de graduação, enquanto a Afya acrescenta posição muito forte em Medicina e no ecossistema de formação médica " diz Paulo Presse, coordenador de estudos de mercado da Hoper Educação.
Os analistas Vinicius Figueiredo, Lucca Marquezini e Felipe Amancio, do Itaú BBA, afirmaram em relatório que veem "clara justificativa estratégica para combinação das empresas", mas apontam, em paralelo, que a sobreposição geográfica de unidades de ensino de Medicina em alguns mercados locais poderá ser alvo de análise pelo regulador. Teresina e Ji-Paraná estariam entre os mercados mais sensíveis, além da Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
Haverá duas frentes prioritárias a serem ampliadas. Uma delas será a de educação continuada, mirando na oferta de cursos preparatórios para exames de residência, pós-graduação médica e preparação para provas de título/especialização. A outra é a de soluções para prática médica, tomando por base a atuação da Afya como uma medtech.