Projeto de parcerias dos correios ainda não deslanchou
Sete das nove parcerias previstas no plano de reestruturação dos Correios ainda estão em ...
Sete das nove parcerias previstas no plano de reestruturação dos Correios ainda estão em fase inicial ou sendo redesenhadas, de acordo com documentos encaminhados ao Tribunal de Contas da União (TCU) e obtidos pelo GLOBO. As duas mais adiantadas são o marketplace Mais Correios e a iniciativa para criar uma conta digital.
Constantes do plano de reestruturação, aprovado em novembro de 2025, as parcerias têm por objetivo aumentar as receitas dos Correios. Estão em curso também iniciativas para reduzir despesas, como programas de desligamento voluntário e fechamento de agências, para tentar reverter o prejuízo recorde da empresa já no ano que vem.
Em 2025, o rombo foi de R$ 8,5 bilhões, e a expectativa é que seja ainda maior este ano. Até junho, o prejuízo acumulado é de R$ 5,5 bilhões.
Três em reavaliação
Como acompanhamento do plano de reestruturação, o TCU requisitou informações detalhadas sobre cada um dos projetos estratégicos previstos, incluindo planos de contingência para o caso de as receitas não se concretizarem. Os Correios enviaram a resposta no início de agosto. O processo é relatado pelo ministro Benjamin Zymler.
O Mais Correios é o único que está realmente operacional. É um marketplace com a marca da empresa, em parceria com a especialista em soluções para comércio eletrônico Infracommerce. O cronograma prevê, inclusive, que a parceria comercial se torne uma sociedade no fim do ano que vem.
O projeto usa a infraestrutura logística e a capilaridade da estatal com a tecnologia da Infracommerce. Mas, diante da concorrência com gigantes do setor, a iniciativa ainda precisa atrair mais vendedores para decolar. Para isso, está sendo negociada com a Dock, instituição de pagamentos, a integração de soluções financeiras à plataforma. Estas incluiriam conta de pagamento para funcionários e prestadores, incluindo crédito consignado e pessoal, assim como conta para MEIs e empreendedores, também com oferta de crédito.
As demais iniciativas, porém, ainda estão em fase bastante inicial ou em reavaliação. Três delas buscam parceiros ou negociam com potenciais interessados: Correios Serviços Logísticos, de transporte de mercadorias em elos intermediários da cadeia; Correios Integra, que visa integrar demanda e oferta de cargas, por meio de leilões de frete; e Correios Log + Saúde, uma vertical de logística em saúde.
Três estão sendo reavaliados: Correios Cargo, Correios Agro, Correios Conectividade. No primeiro deles, a ideia era criar uma nova empresa, formada por Correios, uma companhia aérea e uma fabricante de aviões. Agora, pode ser criada uma plataforma que ficaria sob o guarda-chuva do Correios Integra.
Já o projeto Correios Agro poderia ser absorvido pelo Correios Serviços Logísticos. No caso do Correios Conectividade, que visava à ampliação da estatal no mercado de telecomunicações, a empresa explicou que hoje já tem uma parceria na área para oferecer chips e planos, mas a infraestrutura de telecomunicações fica com a Surf Telecom.
Quanto ao plano de contingência, os Correios informaram ao TCU que, caso as receitas estimadas não se concretizem, haverá adaptação para preservar a "manutenção do equilíbrio econômico-financeiro e da trajetória de sustentabilidade originalmente estabelecida".