Após mp, associação alerta para crescimento de sites falsos de jogos
Enquanto advogados de bets e outras empresas do setor de jogos e apostas on-line estudam ...
Enquanto advogados de bets e outras empresas do setor de jogos e apostas on-line estudam uma forma de contestar na Justiça a medida provisória (MP) editada na sexta-feira pelo presidente Lula que proíbe a atividade no país, representantes do setor alertam para o risco de crescimento das plataformas clandestinas como válvula de escape para os apostadores diante da medida que consideram abrupta.
Um monitoramento da Iron Security, empresa de cibersegurança e inteligência artificial (IA) parceira da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), identificou 697 sites de apostas com indícios de que estavam funcionando sem autorização ontem. O levantamento começou há uma semana, no dia 21, quatro dias antes da MP, com 103 domínios clandestinos de jogos identificados. No dia da proibição, o número chegou a 340. No sábado, saltou para 633 e se aproximou de 700 no domingo. O trabalho foi feito comparando sites mapeados com a lista de 250 marcas (três domínios por operador) que eram autorizadas a operar até sexta-feira pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda.
R$ 1,7 bi para saques
Diego Terrani, CEO e fundador da Iron Security, explica que não é possível afirmar categoricamente que todos os sites são clandestinos, fraudulentos ou maliciosos. Mas só o fato de estarem operando ontem, após a MP, é irregular. A decisão do presidente Lula interrompeu imediatamente as atividades das bets e sites de jogos on-line no país e determinou que as plataformas fiquem no ar até o dia 5 somente para que os apostadores façam o saque de eventuais créditos. A Fazenda estima quer há R$ 1,7 bilhão de clientes nos sites.
Os dados da Iron Security estão no painel público Bet Legal, mantido em parceria com a ANJL. O levantamento mostra que parte dos domínios foi criada antes do anúncio da medida do fim das bets. Cada site listado tem uma ficha no painel e os responsáveis podem contestar a classificação. Aplicativos não são captados no rastreamento. Uma forma de identificar os sites suspeitos é o fato de eles não usarem o domínio ".bet.br", que só é liberado com aval da SPA. As plataformas irregulares geralmente usam ".com" ou ".net", explica o especialista.
Plínio Lemos Jorge, presidente da ANJL, diz que a tendência é um crescimento das plataformas clandestinas, que não têm as salvaguardas das que eram licenciadas, impostas pela regulação. Ele alerta para o maior risco de golpes e de descontrole dos apostadores e diz que há falsários replicando a estética dos sites das bets oficiais que foram agora proibidas de atuar.
" Se o objetivo da medida era impedir a atuação das bets, o efeito concreto foi atingir as empresas legalizadas, que recolhiam impostos, estavam submetidas à fiscalização e eram obrigadas a adotar mecanismos de controle e proteção de públicos vulneráveis, como crianças e adolescentes " critica o dirigente.
A ANJL informou ontem a suspensão de acordos de cooperação com a Anatel e a SPA para coibir plataformas clandestinas. As empresas também descontinuaram programas para detectar tentativas de fraudes relacionadas a apostas. Terrani diz que o desmonte dos sistemas de proteção das casas que eram autorizadas também favorece os sites arriscados para jogadores porque era do interesse delas identificar páginas falsas e pedir a sua derrubada à Anatel. A própria Iron Security tinha entre seus clientes sites de apostas.
" As casas legalizadas usavam os seus recursos para combater as ilegais, porque estavam defendendo as próprias marcas. Quando elas desligam esses sistemas de proteção, abrem espaço para qualquer um, de qualquer país, de qualquer origem, criar seus sites e anunciar aqui no Brasil " diz .
Segundo ele, os sites sem autorização chegam ao apostador pelos mesmos caminhos das casas autorizadas: anúncios pagos no Google e nas redes da Meta, com promoções como giros grátis em jogos de cassino on-line:
" O apostador vai receber uma promoção, vai clicar e vai jogar sem saber se aquela casa é legal ou não.
Governo fiscaliza
A SPA afirmou ontem que mantém ações de bloqueio de sites e asfixia financeira de operações ilegais relacionadas a jogos on-line em parceria com outros órgãos. Em nota, o Ministério da Justiça informou que ampliou o monitoramento digital para coibir a divulgação e operação de apostas após a proibição. Ação do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), da pasta identificou e derrubou ontem 43 canais e grupos ativos no Telegram relacionados à divulgação de apostas e jogos de cassino on-line, que somavam 212.634 membros.
Também em comunicado, a ANJL informou ontem que trabalha com empresas e entidades do setor para pedir a suspensão da MP na Justiça, de forma "serena", sem desobedecer às novas regras.