Sábado, 03 de Octubre de 2026

O brasileiro que virou xodó no futebol indiano: ‘são passionais’

BrasilO Globo, Brasil 3 de octubre de 2026

Ao chegar em Calcutá, os jogadores da seleção se surpreenderam com a recepção dos indianos: ...

Ao chegar em Calcutá, os jogadores da seleção se surpreenderam com a recepção dos indianos: pedidos de autógrafo e de fotos, muita euforia e até declarações de amor. Miguel Damasceno não se espanta mais com estas cenas. Em seu segundo ano na Indian Super League (ISL, a liga local de futebol), o meia já se acostumou com o lado emotivo dos torcedores.
" Eles são bem passionais " conta.
Seja no apoio ou na crítica, as emoções são à flor da pele na Índia. Os torcedores que pedem fotos e até choram perto de Miguel nos treinos também deixam mensagens nas redes sociais dizendo que ele deveria voltar para o Brasil após uma derrota.
Apesar do pouco tempo na Índia, o meia já se adaptou ao futebol local. Logo na primeira temporada, foi campeão da Super League e eleito craque do campeonato pelo East Bengal, de Calcutá. Em seguida, protagonizou um momento de alvoroço ao trocar o clube pelo seu maior rival, o Mohun Bagan.
" Tive muitos problemas com isso, fui muito xingado nas redes sociais. Mas era um clube em que eu já tinha vontade de jogar. É o maior da Índia " admite o brasileiro de 26 anos, também conhecido no país pelo apelido Tublu (que, em português, significa algo como menino querido, um xodó). " Mas, quando eles (torcedores do East Bengal) me veem pessoalmente, é diferente. Tiram foto, agradecem pelo título e até choram.
Os dois clubes fazem o principal clássico de Calcutá no Salt Lake Stadium, onde hoje a seleção enfrentará a Índia. Embora o críquete seja o esporte mais popular do país, o dérbi mostra a força do futebol: o confronto costuma reunir cerca de 60 mil pessoas (a capacidade máxima do estádio é de 85 mil).
" O futebol não é tão técnico, mas eles não param de correr. A bola não para. É muito difícil ter um time que fica mais na defesa. É muito difícil um jogo aqui terminar 0 a 0. É ataque e contra-ataque o tempo inteiro " conta. " É "proibido" tocar para trás e até para o lado. Os torcedores querem que você jogue sempre para frente.
Apesar da paixão pelos pentacampeões do mundo, a liga local não tem o histórico de receber muitos brasileiros. Na edição atual, são apenas cinco.
Revelado pelo Goiás, Miguel trocou o Esmeraldino em 2022 pelo Bashundara Kings, de Bangladesh. Três temporadas depois, quando seu treinador se transferiu para o East Bengal, aceitou o convite para ir junto. Não se arrependeu.
" Quando chego ao Brasil, sempre me perguntam sobre a Índia. E eu falo que não é aquilo que a gente vê nas redes sociais. Calcutá é uma cidade organizada, o clube tem uma estrutura muito boa e o estádio é bom " elogia Miguel, que vive sozinho no país, enquanto a mulher e os dois filhos seguem no Brasil.
Ele só não conseguiu se acostumar com o clima ("aqui é muito úmido e quente") e com a comida. Embora a culinária indiana seja mundialmente famosa, o meia prefere preservar as raízes brasileiras.
" Eu trago comida do Brasil até hoje. Feijão, arroz... Aqui também tem, mas prefiro trazer. Tudo tem pimenta. Até suco. Eu evito algumas coisas porque já passei mal.
As imagens dos indianos torcendo por Neymar e cia. na Copa do Mundo viralizaram no Brasil. A torcida local pela Amarelinha é grande. Assim como pela Argentina. Segundo Miguel, não é raro ver notícias sobre briga entre fã das duas seleções em época de Mundial.
A expectativa é de casa cheia no amistoso de hoje. Assim que o técnico Carlo Ancelotti divulgou a lista de convocados, seus companheiros de time que atuam pela seleção pediram informações sobre os jogadores, principalmente os menos conhecidos. Estão tão eufóricos quanto preocupados por enfrentar estrelas como Vini Jr.
" Têm que estar, né?
(Por Rafael Oliveira)
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