Miércoles, 07 de Octubre de 2026

Adaptar infraestrutura é crucial para reduzir emissões

BrasilO Globo, Brasil 7 de octubre de 2026

As cidades consomem dois terços da energia do mundo, segundo a Agência Internacional de ...

As cidades consomem dois terços da energia do mundo, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE). Portanto, são cruciais para a redução das emissões de gases do efeito estufa. No Brasil, as medidas envolvem desde a substituição de diesel por bateria elétrica em frotas de ônibus públicos até reformas de edifícios e redução de seu consumo de energia. Para ampliar essas mudanças, porém, as cidades precisam adaptar sua infraestrutura e levar os benefícios a uma população que tem condições muito diferentes de acesso à energia. Foi o que defenderam ontem os participantes da live "Energia nas cidades: mobilidade, edifícios e consumo", do projeto Transição Energética, promovido pelo GLOBO e pelo Valor.
" Precisamos garantir essa infraestrutura elétrica pelas cidades para que possamos ampliar o acesso. A gente tem que fazer chegar essa energia para quem realmente precisa " afirmou Sylvia Meimaridou Rola, coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura (Proarq) da UFRJ.
Em São Paulo, são registrados quase 7 milhões de embarques por dia útil nas cerca de 1.300 linhas de ônibus que cruzam a maior cidade do país. Desde outubro de 2022, a prefeitura proíbe a inclusão de novos veículos a diesel no sistema, para cumprir as metas de redução de emissões. A substituição da frota também busca melhorar o serviço e desfazer a associação entre andar de ônibus e não ter condições de comprar um carro.
Rafael Barros de Camargo, diretor de Planejamento de Transporte da São Paulo Transporte (SPTrans), que também estava na live, frisou que o transporte público não é só para pessoas de menor renda e que recuperar passageiros ajuda a financiar o sistema, ampliando os recursos para investir no serviço e manter uma tarifa acessível. Atrair quem hoje usa o carro, disse o diretor, faz com que o transporte seja sustentável em todos os aspectos.
A frota paulistana de ônibus urbanos tem em torno de 12,5 mil veículos, dos quais cerca de 2 mil são elétricos, segundo Camargo. Um ônibus elétrico padrão custa, em média, R$ 3,5 milhões. Para viabilizar a compra, a concessionária paga o equivalente ao preço de um modelo a diesel, e o município cobre a diferença.
vida útil maior
Na proporção apresentada por ele, a empresa investe um terço, e o município, os dois terços restantes. A prefeitura contrata crédito com bancos de fomento a juros menores que os disponíveis às empresas e paga os empréstimos. O preço mais alto pode ser compensado durante os anos de operação.
" Tem uma redução de despesa na manutenção e no consumo da energia " afirmou Milena Braga Romano, presidente da Eletra, fabricante de ônibus elétricos.
De acordo com Camargo, esses gastos caem de R$ 25 mil por mês no diesel para R$ 5 mil no elétrico, uma economia de R$ 240 mil por ano para cada ônibus elétrico em operação.
O modelo elétrico também dura mais: tem vida útil de 15 a 20 anos, contra sete anos de um modelo a diesel. Com menos paradas para manutenção, 99% da frota elétrica fica disponível para operar, ante 92% da frota a diesel. Além disso, a autonomia de pelo menos 250 quilômetros atende às linhas urbanas.
" Há alternativas (de combustíveis) como o biometano, o hidrogênio, mas não são viáveis ainda nos grandes centros " disse Milena.
No caso do biometano, a dificuldade está em produzi-lo em quantidade suficiente e fazê-lo chegar às garagens. Segundo Camargo, a prefeitura mantém um grupo para estudar o combustível no transporte coletivo. A coleta de lixo da cidade, por exemplo, já utiliza caminhões elétricos e a biometano. A troca dos veículos exige também adaptar garagens e incorporar os pontos de abastecimento ao planejamento urbano.
Para Sylvia, esse tipo de planejamento precisa considerar também como as construções consomem energia. Muitos edifícios foram projetados sem aproveitar a luz do dia e a ventilação natural, e hoje precisam recorrer mais ao ar-condicionado para manter o conforto dos ambientes diante do aumento das temperaturas. Ela defende reformas que reduzam esse gasto. O custo das obras pode ser compensado pela economia de energia ao longo dos anos:
" O reaproveitamento dessas construções seria uma forma de a gente gastar menos carbono do que demolindo e reconstruindo.
Os imóveis podem ainda produzir parte da energia que consomem com a instalação de painéis solares. Sylvia defende incentivos para instalar painéis em escolas, hospitais e centros comunitários das áreas mais vulneráveis. A geração nesses espaços pode reduzir a conta de luz dos serviços públicos usados por moradores que não conseguem instalar o sistema em casa.
" O acesso à energia solar é extremamente importante, não pode se dar só a quem tem telhado " disse.
O projeto Transição Energética tem patrocínio da Vale.
La Nación Argentina O Globo Brasil El Mercurio Chile
El Tiempo Colombia La Nación Costa Rica La Prensa Gráfica El Salvador
El Universal México El Comercio Perú El Nuevo Dia Puerto Rico
Listin Diario República
Dominicana
El País Uruguay El Nacional Venezuela