Perícia aponta menos estoque e funcionários na casas bahia
Uma perícia judicial realizada em documentos e unidades da Casas Bahia apontou redução de ...
Uma perícia judicial realizada em documentos e unidades da Casas Bahia apontou redução de estoque, áreas ociosas em alguns centros de distribuição e redução de 4,6 mil pessoas no quadro de funcionários, conforme antecipou o Valor. A análise ainda constatou que as vendas digitais tombaram 35% entre julho e agosto. A empresa entrou com pedido de recuperação judicial em 17 de agosto.
O procedimento é necessário para que a Justiça de São Paulo conceda ou não o pedido de reestruturação da varejista, que acumula R$ 17,3 bilhões em dívidas.
Realizada pela ACFB Administração Judicial, a perícia visitou 744 lojas e 29 centros logísticos da Casas Bahia e constatou sinais de retração em parte da estrutura operacional. De acordo com o laudo, ao qual O GLOBO teve acesso, foi observada atividade irregular em nove lojas e três centros de distribuição.
Nas lojas em funcionamento, a perícia não encontrou desabastecimento perceptível nos mostruários. Em parte dos centros logísticos, porém, foram registrados estoques reduzidos e áreas ociosas.
"Nos centros de distribuição, a manutenção das operações coexistia com a redução significativa dos estoques observada em parte das unidades, cuja causa foi relacionada pelas requerentes às dificuldades econômico-financeiras enfrentadas pelo grupo", afirma o documento.
Fábrica na normalidade
Já a fábrica da Bartira, marca de móveis do grupo, funciona normalmente. Quanto à operação on-line, os peritos fizeram sete compras nos canais digitais da Casas Bahia, e os pedidos foram entregues dentro dos prazos informados.
A perícia constatou ainda que, entre julho e agosto, as vendas digitais da varejista registraram queda de 35,3% em valor. Em número de pedidos, houve retração de 33,9%, de 1.068.648 para 706.335.
Advogado especialista em Direito Empresarial e sócio do BVZ Advogados, Fábio Percegoni avalia que o laudo, ao apontar que a crise financeira atingiu a operação da companhia, pode dificultar as negociações com credores e prolongar a recuperação judicial.
Segundo Percegoni, embora a perícia não represente, por si só, um prejuízo do ponto de vista processual, a deterioração operacional reduz a capacidade da empresa de oferecer condições mais favoráveis dentro de seu plano de recuperação.
" A crise da Casas Bahia deixou de ser apenas financeira e chegou à operação, e é uma das piores situações que se pode ter. Isso significa, de largada, que as condições que a empresa vai ter para oferecer aos credores serão ruins. Isso pode dificultar a negociação e prolongar ainda mais o processo " diz o advogado.
Em crise que atribui a juros elevados, restrição de crédito e pressão sobre consumo, a Casas Bahia pediu reestruturação na Justiça em 17 de agosto. Com R$ 17,3 bilhões em débitos, a varejista fechou quase 300 lojas e demitiu 3 mil funcionários.
O laudo da perícia, porém, identifica que o quadro de funcionários da varejista encolheu em 4.647 em agosto: eram 29.737 trabalhadores no dia 3 contra 25.090 no dia 28, uma queda de 15,6%.
Segundo o laudo, porém, "não é possível atribuir integralmente a redução ao período posterior ao ajuizamento da Recuperação Judicial", pois não há informações sobre o dia de cada dispensa. As rescisões somam R$ 126,7 milhões.
Em 28 de agosto, após a Casas Bahia relatar uma "corrida de credores", a juíza Tainá Maria Leonardo de Oliveira, da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, garantiu a proteção contra credores por 180 dias.
Procurada, a Casas Bahia não retornou o contato.