Mais de 32 mil empresas já fecharam no governo milei
A economia argentina acumula indicadores estatísticos que revelam, para além de alguns ...
A economia argentina acumula indicadores estatísticos que revelam, para além de alguns setores que registram investimentos e expansão (hidrocarbonetos, mineração, agronegócio e energia), um cenário de estagnação, queda da renda e deterioração do mercado de trabalho. É o que mostram os números de empresas empregadoras, que voltaram a cair em julho.
Os dados são provenientes das estatísticas mensais da Superintendência de Riscos do Trabalho (SRT). Em julho, o número total de empresas ativas com trabalhadores registrados na Argentina caiu para 480.067, 948 a menos do que o mês anterior. A série acumula 18 meses consecutivos de retração.
No fim de novembro de 2023, último mês do governo Alberto Fernández, havia 512.357 companhias registradas no país, segundo os dados da SRT. Com os números mais recentes, o total de empresas fechadas na gestão de Javier Milei chega a 32.290, uma queda de 6,3%.
Nos últimos 12 meses, foram fechadas 15.475 companhias, e em 2026, 9.682.
" Desde o fim da conversibilidade (entre peso e dólar), nunca havia sido registrado um processo tão persistente e intenso de redução do número de empresas. Para encontrar um nível semelhante ao atual, é preciso voltar exatamente 19 anos no tempo. Desde julho de 2007 o país não tinha tão poucas empresas como agora " disse Guido Zack, diretor da área de Economia da consultoria para políticas públicas Fundar.
Embora exista um cenário geral de queda do nível de atividade econômica, a SRT afirma que pode haver também reorganizações corporativas.
A queda atual no número de empresas, de acordo com essa série estatística, é mais acelerada do que a registrada durante a pandemia de Covid-19. Em fevereiro de 2020, um mês antes de a Argentina decretar um lockdown, havia 508.187 empresas no país.
Em setembro de 2021, quando a série atingiu seu nível mais baixo na pandemia, o número havia caído para 486.782 " uma redução de 21.405 empresas no período (4,2% do total).
Retração de vagas
Os dados da SRT abrangem tanto empresas privadas quanto públicas. A definição inclui qualquer unidade " pessoa física ou jurídica " que opere com pelo menos um empregado formalmente registrado. Os trabalhadores domésticos não estão incluídos.
" O contexto econômico atual, caracterizado por custos elevados em dólares devido à valorização cambial, ausência de medidas para reduzir a carga tributária e aumento dos custos logísticos em razão da falta de investimentos em obras públicas, gera uma combinação extremamente hostil ao funcionamento das empresas " explicou Zack.
A queda no número de empresas que empregam trabalhadores formais é acompanhada por uma contração do mercado de trabalho. Em junho (último dado disponível do Sipa, o Sistema Integrado Previdenciário Argentino), houve a perda de 10.814 vagas no país em relação a maio.
Na comparação anual, o total de empregos formais encolheu em 120 mil. Em junho de 2025, eram 6,216 milhões de trabalhadores; em junho deste ano, 6,096 milhões.
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