Os planos da heinz para ir muito além do seu ketchup
Líder em ketchup, a Kraft Heinz Brasil está fazendo esforços para complementar o portfólio ...
Líder em ketchup, a Kraft Heinz Brasil está fazendo esforços para complementar o portfólio para além do seu "feijão-com-arroz". Comandada há dois anos por Ariel Grunkraut, ex-CEO da Zamp (dona do Burger King Brasil), a companhia está investindo para ganhar relevância nas cozinhas profissionais como parte do plano de dobrar de tamanho no país até 2030. Diante de fenômenos como as canetas emagrecedoras, a companhia quer ampliar o portfólio de produtos "zero" e avalia a possibilidade de lançar condimentos com proteína. Em paralelo, busca alavancar a presença em extrato de tomate e, sobretudo, em maionese " maior categoria de condimentos no Brasil e na qual a Hellmann’s (Unilever) é campeã de vendas.
" O food service (restaurantes) representa perto de 15% do nosso negócio, mas somos fortes sobretudo na frente de loja, com os minissachês. Quando a gente fala da cozinha, porém, ainda há um grande potencial a destravar. Dá para fazer disso 25% do negócio, como é nos outros países " disse Grunkraut.
Suas marcas já estão em cozinhas de redes como Burger King e BR Mania, mas o executivo reconhece que há um "trabalho de formiguinha" a ser feito:
" Parte do investimento que a gente fez em pessoas é num time de Culinary, de chefs que estão nos ajudando a destravar esse potencial. Isso porque o desafio ali é performance: o restaurante não explora a marca do extrato de tomate que usa no seu macarrão. Então, a gente quer entender as necessidades de cada um.
O CEO contou que, "embora desafiador, o ano tem sido bom", puxado pelo desempenho de lançamentos como o ketchup Heinz Zero e, principalmente, pelo avanço em maioneses. Essa, aliás, tem sido a maior categoria explorada por Grunkraut, diante do seu tamanho e da posição de liderança da rival Hellmann’s (que, aliás, tenta hoje desafiar a liderança da Heinz em ketchup…). A Heinz diz que, segundo a Nielsen, detém 22% do mercado de maioneses, mas está com menos de 20% de participação quando o assunto é preparação de receitas.
" A maior ocasião de consumo de maionese no Brasil não é no lanche, é nas receitas. A gente ainda é uma marca nova aqui e não tinha, até recentemente, embalagens em pote e em sachê. Fizemos esses lançamentos, que permitiram que a gente se tornasse a marca que mais cresce em participação " explicou.
Em extrato de tomate, um dos atributos da Heinz para ganhar relevância é a autossuficiência em tomates, atingida no ano passado por meio de 15 produtores localizados na região de Goiás. Antes, parte da pasta era importada. De acordo com Grunkraut, o Super El Niño preocupa, mas a companhia tomou medidas para evitar que ele imponha a necessidade de importação.
" Nosso time de agricultura encontrou sementes mais resistentes a esses choques térmicos, para a gente sofrer o mínimo possível " sustentou.