Superliga terá retorno de lucarelli e leal e ‘boom’ de gringos como a polonesa stysiak
poder de atração
poder de atração
Uma polonesa que sonhava desde menina em jogar no Brasil e um campeão olímpico que passou os últimos sete anos entre Itália e Japão são os principais rostos de uma Superliga cada vez mais internacional. Magdalena Stysiak, reforço do Osasco São Cristóvão Saúde, e Lucarelli, de volta ao país para defender o Itambé Minas, são as grandes atrações da temporada 2026/2027, que começa neste fim de semana.
A primeira rodada feminina começa hoje, às 18h30, com Gerdau Minas x Brusque Vôlei, na Arena Minas, com transmissão do Sportv2. O masculino entra em quadra a partir do dia 24.
O retorno de Lucarelli e a chegada de Stysiak são exemplos do poder de atração cada vez maior da competição, seja de brasileiros "repatriados", seja de estrangeiros. O número de gringos, inclusive, será recorde: pode chegar a 41, incluindo três treinadores, nos 24 clubes, 12 no masculino e 12 no feminino. Serão 26 atletas de fora do país apenas no feminino, sendo que o único clube com apenas brasileiras é o Barueri. Na temporada passada, 28 atletas de outros países atuaram no Brasil.
Stysiak, campeã paulista pelo Osasco na terça-feira, em vitória sobre o Sesi Bauru, contou ao GLOBO que, quando pequena, sonhava em jogar no Brasil:
" Quando era mais nova, assistia aos jogos na TV, e a seleção brasileira sempre buscava títulos em todos os torneios. Gostava muito de assistir. Então, como uma garotinha, disse a mim mesma: "Este será o país onde você jogará no futuro. E aqui estou" " disse. " Estou ansiosa e animada para disputar a Superliga, que é reconhecida como uma das mais fortes do cenário internacional.
Com 2,03m de altura, Stysiak acumula títulos na Turquia e na Polônia, é medalhista de bronze da Liga das Nações e constantemente está entre as principais pontuadoras do circuito internacional.
" Sem dúvida, ela é uma das melhores do mundo na posição e contamos com sua força e talento, mas no vôlei não se joga sozinho. Por isso, buscamos formar um time equilibrado, com atletas de qualidade dentro e fora da quadra " ressaltou o treinador Luizomar de Moura.
tifanny na justiça
O Osasco pode contar com outra de suas estrelas: Tifanny conseguiu uma liminar na Justiça para poder disputar a competição. Ela estava impedida de ser inscrita pela nova regra do Comitê Olímpico Internacional e da Confederação Brasileira de Vôlei que restringe a elegibilidade de atletas trans. A CBV informou que recorrerá da decisão.
Ainda no feminino, outro destaque internacional é a russa Sofya Kuznetsova, no atual campeão Dentil Praia Clube, que será comandado por um estrangeiro, o técnico português Rui Moreira. Não será a primeira vez da ponteira no país: na Superliga 2023/2024, ela foi a maior pontuadora e, em 2024/2025, a melhor ponteira, antes de uma breve passagem pelo Queenseis Kariya, do Japão.
Cubano brasileiro
No masculino, um dos estrangeiros de maior destaque tem dupla nacionalidade: nascido em Cuba, Leal, ex-jogador da seleção brasileira, volta ao Cruzeiro, atual campeão da Superliga, após oito temporadas no vôlei internacional. Pelo clube mineiro, ele conquistou cinco vezes o torneio, sendo eleito o melhor jogador em duas edições: 2014/2015 e 2015/2016. Também faturou três Mundiais de Clubes pela equipe celeste, entre outros títulos.
" Sempre disse que um bom filho à casa retorna e estou feliz demais de voltar a jogar diante de uma torcida incrível, a melhor do Brasil. Estava com muita saudade de tudo, das pessoas com quem trabalhei no time, da nossa torcida, da cidade " declarou o jogador, que volta a vestir a camisa 9, aposentada desde sua saída.
Nas duas últimas temporadas, Leal defendeu o Spor Kulübü, da Turquia. Antes, passou por Catar, Itália e Rússia.
O grande nome da edição, porém, é Lucarelli, ex-Aichi, do Japão, agora no Itambé Minas. Já no primeiro evento da temporada, o ponteiro ajudou o time a conquistar o Campeonato Mineiro sobre o Praia Clube, encerrando um jejum na competição que durava desde 2006.
" Desde sempre queria voltar ao Brasil. Quando saí, meu objetivo era voltar. E poder voltar em condições de brigar por títulos e pelo Minas, então... " disse Lucarelli, que há 13 anos vestiu a camisa deste time. " O Minas construiu uma equipe bastante competitiva e espero que a gente consiga tirá-la do papel. Precisamos ter uma cara, criar a nossa química.
Lucarelli conta que volta amadurecido, tendo experimentado duas escolas de voleibol diferentes. E brinca que saiu do país solteiro e volta casado.
" Da Itália, a lembrança mais importante sempre será o fato de ter conhecido a minha mulher. Espero que ela seja muito feliz aqui no Brasil " diz o ponteiro. " Ser estrangeiro na Itália dá a responsabilidade de ter de resolver, de ser um cara importante para o time o tempo inteiro. Não tinha um jogo de descanso e isso me fez crescer muito. E foi a primeira vez que eu saí do Brasil, tive de me virar, essas coisas. Foi importante para o amadurecimento pessoal.
Sobre os ensinamentos que o Japão lhe deu, citou questões como ética, respeito e conduta. Mas teve também resiliência. Isso porque Lucarelli passou a temporada inteira tentando curar uma lesão no ombro, mas precisou jogar mesmo assim.
" E levamos o time para uma final. Fiquei feliz de encarar a temporada com a cabeça no lugar " falou o atleta, já recuperado.
Sucesso de público
A Superliga terá transmissão de todas as partidas, sendo quatro jogos pelo Sportv e dois pela GeTV por rodada. A TV Globo transmitirá as finais. Na temporada passada, foram mais de 20 mil torcedores no Ginásio do Ibirapuera nos dois domingos de decisão. E mais de 21 milhões acompanharam pela TV Globo (também houve transmissões em canal fechado e streaming).
A final feminina superou a audiência das duas finais anteriores em média nacional (8,4 pontos), e a masculina teve a maior média em quatro anos (8,1 pontos). As postagens sobre a Superliga nas redes sociais da CBV tiveram 29 milhões de visualizações apenas nas duas semanas decisivas do torneio.