Após quase 4 anos, americanas sai da recuperação judicial
Quase quatro anos após enfrentar uma crise sem precedentes provocada pelo maior escândalo de ...
Quase quatro anos após enfrentar uma crise sem precedentes provocada pelo maior escândalo de fraude contábil da história corporativa do país, a Americanas anunciou que a Justiça do Rio de Janeiro aceitou ontem o seu pedido de encerramento do processo de Recuperação Judicial, conforme antecipou o colunista do GLOBO Lauro Jardim em seu blog.
Segundo fato relevante divulgado pela varejista no início da noite, a decisão foi proferida pela 4ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Estado do Rio, que reconheceu o cumprimento das obrigações previstas no plano de recuperação judicial. A Americanas afirmou que cumpriu integralmente as metas do plano, aprovado por 91% dos credores, e a sentença também contempla a subsidiária B2W Digital Lux.
O encerramento do processo de recuperação judicial da Americanas atendeu a um pedido feito pela companhia em março deste ano. A decisão da 4ª Vara Empresarial do Rio foi tomada após pareceres favoráveis da Administração Judicial e do Ministério Público estadual.
No comunicado ao mercado, a Americanas classificou o encerramento da recuperação judicial como um "marco importante" em sua trajetória e afirmou que a medida inaugura uma nova fase para a companhia.
"Com a conclusão dessa etapa, a companhia segue comprometida com o crescimento de suas operações, o fortalecimento sustentável do seu modelo de negócio e o desenvolvimento da experiência de seus clientes", afirmou a Americanas no fato relevante.
Na B3, a ação ordinária da Americanas fechou ontem em forte alta, de 6,9%, cotada a R$ 5,97.
AS FRAUDES
Em janeiro de 2023, Sergio Rial, ex-CEO do Santander, assumiu o comando da Americanas, mas renunciou ao cargo depois de apenas nove dias. Ele revelou que havia inconsistências contábeis em balanços financeiros que inflaram o resultado da empresa em pelo menos R$ 25,3 bilhões, que mais tarde foram comprovadas como uma fraude praticada de forma sistemática por anos.
A Americanas pediu a recuperação judicial ainda naquele mês e apresentou uma primeira versão do plano de recuperação em março. Das fraudes estimadas em R$ 25,3 bilhões, a dívida total considerada no plano de recuperação superava R$ 50 bilhões, dos quais cerca de R$ 43 bilhões correspondiam a débitos concursais, sujeitos à renegociação com credores.
O plano de recuperação envolveu um aporte emergencial entre R$ 7 bilhões e R$ 12 bilhões dos acionistas de referência " o trio de bilionários Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Herrmann Telles ", parte de um plano de capitalização total de R$ 24 bilhões (que incluiu também R$ 12 bilhões em conversão de dívidas por credores).
Na sexta-feira da semana passada, a Justiça Federal do Rio aceitou denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal em março de 2025 e tornou réus o ex-CEO da Americanas Miguel Gutierrez e outros 11 ex-executivos da varejista, acusados de 28 manobras fraudulentas e crimes como organização criminosa, manipulação do mercado de capitais, uso indevido de informações privilegiadas e falsidade documental.