Ifood compra caju por r$ 1 bi e acirra disputa no vale-refeição
A disputa pelo mercado de vale-refeição (VR) e vale-alimentação (VA), que movimenta cerca de R$ ...
A disputa pelo mercado de vale-refeição (VR) e vale-alimentação (VA), que movimenta cerca de R$ 150 bilhões por ano no Brasil, ganhou um novo capítulo. O iFood anunciou ontem que assinou um acordo para comprar a Caju, startup de benefícios corporativos. O negócio reúne duas empresas que ganharam espaço nos últimos anos na briga com grupos tradicionais do setor, como Alelo, Ticket e Pluxee. O iFood desembolsará R$ 1 bilhão na operação de compra, disseram ao GLOBO pessoas próximas à companhia.
O iFood Benefícios atende hoje 65 mil empresas e 1,7 milhão de usuários. Sua rede de locais credenciados, ou seja, que aceitam os seus cartões, é de 11 milhões de estabelecimentos físicos, sem contar a conexão com o ecossistema de sua plataforma de entregas (500 mil no app). A Caju tem mais de 70 mil clientes corporativos, 1,3 milhão de trabalhadores em sua base e 12 milhões de locais habilitados.
SETOR EM TRANSFORMAÇÃO
A conclusão do negócio ainda depende de aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do Banco Central (BC).
O acordo entre as empresas é anunciado no momento de uma profunda mudança feita pelo governo nas regras do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) para aumentar a concorrência no setor e diminuir custos para os comerciantes, visando reduzir os preços dos alimentos: teto de 3,6% para as taxas cobradas pelas operadoras de cartão dos estabelecimentos comerciais, redução do prazo de repasse das vendas para 15 dias e, a partir de novembro, a abertura dos arranjos de pagamento com a chamada interoperabilidade (todos os cartões deverão ser aceitos em qualquer maquininha).
No total, o PAT atende cerca de 22 milhões de trabalhadores de 400 mil empresas e movimenta R$ 150 bilhões ao ano. Alelo, Ticket, VR e Pluxee detêm em torno de 80% desse mercado.
Para o iFood, a aquisição da Caju "deve acelerar ainda mais" as mudanças no setor. "Quando o custo de transação cai, o estabelecimento opera com mais margem e pode repassar esse ganho em alimentação mais barata para o trabalhador e em mais investimento no negócio", afirmou o CEO do iFood Benefícios, Arthur Freitas, em comunicado.
A Caju ganhou espaço no mercado com a oferta de um cartão único que reúne diferentes modalidades de uso, como alimentação, saúde, cultura e mobilidade. Com a compra, o iFood busca combinar sua rede de aceitação de cartões e seu aplicativo com a plataforma da Caju, que também oferece soluções de gestão de despesas e recursos humanos. A ideia é ampliar a atuação para além dos vales-refeição e alimentação, reunindo ferramentas para departamentos de RH e serviços.
"Juntar forças com o iFood Benefícios é a chance de acelerar o que já fazemos, abrindo espaço para a inovação com mais investimento em experiência e produto", disse Eduardo Del Giglio, CEO e cofundador da Caju, em nota.
" A operação aproxima empresas que entraram no setor desafiando as operadoras tradicionais, com tecnologia, cartões de ampla aceitação e novas propostas de serviço. Para o iFood, a estratégia é acelerar o ganho de competitividade e participação de mercado por meio do crescimento inorgânico " analisa Carlos Sato, da consultoria Syscapital.
Gustavo Brollo, professor do Insper e do Ibmec-SP e sócio do BVZ Advogados, avalia que, num contexto de margens menores, escalar o alcance com tecnologia e serviços para os departamentos de RH (da Caju) justifica a aquisição.
" Daí é que vem boa parte do racional econômico da transação, que reflete um movimento de consolidação por meio de aquisições.
NOVOS CONCORRENTES
A abertura do setor está atraindo investimentos e novas competidoras. Em agosto, a startup de benefícios Flash captou R$ 150 milhões para investir em tecnologia e expansão comercial. O BTG Pactual lançou um cartão VR/VA em parceria com a Mastercard, o BTG Benefícios. Em setembro, o C6 Bank, que tem como sócio o JPMorganChase, anunciou a aquisição de 100% da Alymente, uma startup de benefícios corporativos fundada em 2017, que passará a se chamar C6 Benefícios.