Nova operadora vai assumir ‘herança’ da oi fibra
A V.tal " rede "neutra" de fibra óptica controlada por fundos do BTG Pactual que acaba de ...
A V.tal " rede "neutra" de fibra óptica controlada por fundos do BTG Pactual que acaba de adquirir a banda larga da Oi por R$ 5,7 bilhões " está criando uma nova operadora de internet para "herdar" a carteira da Oi Fibra. Batizada de Nio, a companhia já nasce com 4 milhões de clientes, sendo 770 mil no Rio, seu principal mercado. A empresa pretende se posicionar como um "atacante" nesse setor, afirma o CEO da Nio, Marcio Fabbris.
" O segmento de fibra tem uma particularidade no Brasil: são literalmente 10 mil operadores de internet, enquanto a maioria dos países tem algumas dezenas. Isso impôs uma competição baseada exclusivamente em guerra de preços por megabyte, desconsiderando qualquer diferencial de serviço. Virou commodity. Nós vamos buscar esse diferencial " sustenta o executivo, que trabalhou por duas décadas na Vivo.
A compra da carteira de clientes de fibra da Oi foi concluída na semana passada, e a marca Nio " versão aportuguesada da palavra inglesa new (novo) " só deve estrear oficialmente nos próximos meses, até o fim do primeiro semestre. A companhia já contratou a Artplan para a campanha publicitária de lançamento. Até lá, pelo contrato de aquisição, a marca Oi Fibra permanece em vigor.
" Vamos manter todos os planos legados; nada muda para os clientes. Nada será descontinuado. O que queremos é lançar novos planos, mais atraentes, para os quais os clientes poderão migrar, se desejarem " diz Fabbris, repetindo que não vislumbra uma ofensiva de preços. " Não serão planos necessariamente mais baratos, mas com diferencial de qualidade.
Inspiração na GVT
Uma das inspirações é a GVT, operadora independente que se destacou nos primórdios da banda larga brasileira e acabou vendida para a Vivo por mais de R$ 20 bilhões em 2014. Não à toa, o presidente do conselho da holding da V.tal é Amos Genish, o israelense naturalizado brasileiro que fundou a GVT.
" A gente vai buscar ser um "atacante", assim como foi a GVT. Depois que a conexão virou commodity, a onda que começa agora é a preocupação com a qualidade do Wi-Fi. Antes talvez não fosse importante, porque a rede era ruim, em geral, mas agora é. E poucas operadoras vão conseguir se destacar, já que isso exige um investimento massivo na troca do parque de roteadores para modelos de sexta geração. Nosso plano é fazer isso " diz Fabbris.
Ele ainda faz uma aposta:
" Há uma grande oportunidade para quem se propuser a ser uma espécie de "concierge digital" do usuário, algo como um "personal Wi-Fier" " brinca.
Segundo o executivo, a Nio está realizando uma pesquisa com clientes para definir qual modelo deve seguir. Outra ideia é melhorar o relacionamento, implementando, por exemplo, ferramentas de inteligência artificial no WhatsApp.
Embora a Nio tenha no Rio, de longe, seu maior mercado, a companhia está sediada na capital de São Paulo, onde ainda não atua, ainda que esteja presente em outras cidades do estado, como Campinas e São José dos Campos.
" A atuação da empresa já é nacional. Somos líderes em 15 estados, inclusive com uma participação de 31% no Rio. Nossa ambição é ser protagonista, e isso não será possível sem estar em São Paulo. Mas, por ora, a prioridade é crescer onde já estamos " diz Fabbris.
Leilão conturbado
A V.tal adquiriu a carteira da Oi Fibra em um leilão por R$ 5,68 bilhões, ou R$ 1,6 bilhão a menos do que a Oi inicialmente pedia. O processo foi conturbado. Na primeira rodada, a única oferta veio da Ligga, do empresário Nelson Tanure (antes chamada Copel Telecom), de apenas R$ 1 bilhão. O lance foi rejeitado pelos credores da Oi. Na segunda rodada, a V.tal obteve liminar na Justiça impedindo a Ligga de participar, com o argumento de que esta não havia concordado com os termos do edital.
A compra levou à reconfiguração da V.tal. A holding agora conta com três companhias: a V.tal original, com o negócio de rede neutra de fibra; um braço de data centers; e, por fim, a Nio.