Sábado, 04 de Abril de 2020

Acidente de navio a serviço da vale pode custar mais de r$ 1 bi

BrasilO Globo, Brasil 4 de abril de 2020

As perdas com o acidente envolvendo um navio contratado pela Vale que teve de ser encalhado no ...

As perdas com o acidente envolvendo um navio contratado pela Vale que teve de ser encalhado no litoral do Maranhão podem superar R$ 1 bilhão. De acordo com uma fonte do setor naval, o valor não inclui os prejuízos financeiros com um possível desastre ambiental.
A embarcação, operada pela empresa sul-coreana Polaris, está carregada com 294.871 toneladas de minério de ferro, 3,5 mil mil toneladas de óleo residual e 140 toneladas de destilado. O navio sofreu uma avaria na proa após deixar o Terminal Marítimo de Ponta da Madeira, em São Luís, na capital do Maranhão.
O problema ocorreu fora do canal de acesso ao porto, a cem quilômetros da costa. Segundo fontes, a embarcação corre o risco de afundar. A Marinha já detectou manchas de óleo no mar. Quatro rebocadores se deslocaram para o local para coletar mais informações, disse a Marinha, que instaurou inquérito administrativo e "verifica a viabilidade dos planos de desencalhe para a retirada da embarcação do local".
Em nota, o Greenpeace cobrou mais informações da Vale: "Precisamos de transparência, pois um possível vazamento de combustível fóssil da embarcação seria uma ameaça à biodiversidade marinha".
Segundo uma fonte com experiência no setor ouvida pelo GLOBO, se não houver um acidente ou catástrofe ambiental, o custo do acidente pode superar R$ 1 bilhão. O mais caro é o que se refere à salvatagem da embarcação, com o uso de rebocadores. O custo numa operação como essa é muito alto porque o trabalho pode durar dias.
ajuda da petrobras
A maior parte da despesa está atrelada ao custo para o reboque da embarcação. O valor relativo ao minério é a menor parte das despesas, apesar de a tonelada do produto custar US$ 90. A embarcação, operada pela empresa sul-coreana Polaris, tinha como destino a China. Em geral, a operadora fica com o custo de um acidente, mas isso vai depender das circunstâncias das manobras feitas pelo navio ao sair do terminal portuário da Vale.
Está sendo investigado se houve uma falha humana ou de equipamento. O advogado Rafael Daudt, especialista em Direito Ambiental, lembra que, mesmo que o navio não seja de propriedade da Vale, a mineradora é a contratante e dona do minério:
" Então, me parece que a Vale responde pelo dano ambiental, se houver. O produto é da Vale, e ela aparentemente assumiu a responsabilidade pelo transporte. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem um precedente de exclusão da responsabilidade do adquirente da carga transportada.
A Vale informou que montou uma força-tarefa para evitar danos ambientais na costa do Maranhão. A empresa solicitou ajuda à Petrobras para conter um eventual vazamento de óleo no mar. A mineradora solicitou embarcações chamadas no mercado de Oil Spill Recovery Vessel (OSRV). A Vale afirmou que busca especialistas em salvatagem "para acelerar o plano de retirada do óleo da embarcação".