Domingo, 07 de Marzo de 2021

No méxico, fernández tenta desviar foco dos fura-filas

BrasilO Globo, Brasil 23 de febrero de 2021

Em meio ao escândalo provocado pela divulgação de uma lista de funcionários e amigos que furaram a ...

Em meio ao escândalo provocado pela divulgação de uma lista de funcionários e amigos que furaram a fila da vacinação contra a Covid-19 na Argentina, o presidente Alberto Fernández desembarcou ontem no México na tentativa de oxigenar seu governo com notícias positivas sobre a produção da AstraZeneca que será enviada a seu país. A remessa será possível graças a um acordo de cooperação bilateral com o México.
Uma pesquisa realizada no último fim de semana pela empresa de consultoria Management & Fit mostrou que 61% dos argentinos desconfiam hoje do plano nacional de vacinação, e 71% acreditam que todos os envolvidos no caso já apelidado de "vacinagate" devem ser afastados.
Enquanto Fernández busca reparar o enorme dano causado pela descoberta da lista de funcionários e pessoas ligadas ao governo que furaram a fila da vacinação com autorização do Ministério da Saúde, a Justiça já tramita dez denúncias penais contra o ex-titular da pasta, Ginés González Garcia. A maioria dos processos é contra o ex-ministro, mas alguns incluem o presidente, seu chefe de Gabinete, Santiago Cafiero, e a nova ministra da Saúde " vice de seu antecessor " Carla Vizotti.
O "vacinagate" veio à tona em um péssimo momento para o presidente argentino. Entre abril de 2020 e janeiro de 2021, a confiança dos argentinos em seu governo caiu de 80% para 30%, segundo pesquisa mensal realizada pela Universidade Di Tella. O escândalo das vacinas, opinaram analistas locais ao GLOBO, deverá deteriorar ainda mais a já desgastada imagem do governo Fernández.
"Eu desconhecia totalmente (esta situação) " admitiu a nova ministra da Saúde, que, apesar de ter assumido o comando da pasta na sexta-feira, não foi incluída na comitiva oficial ao México.
mídia diz que lista é maior
Segundo Vizotti, apenas dez pessoas foram vacinadas no ministério fora do sistema oficial. No entanto, meios de comunicação locais e diversas acusações apresentadas em tribunais de Buenos Aires indicam que a lista dos fura-filas foi maior. Antes do escândalo, o ex-ministro estava na lista da delegação oficial que acompanharia o presidente em uma viagem que sempre teve como objetivo reforçar a cooperação com o México em matéria sanitária, sobretudo na produção e distribuição de vacinas.
Em sua entrevista diária, o presidente Andrés Manuel López Obrador afirmou ontem que, no México, "não existe vacinação secreta". Segundo informações na imprensa argentina, o chefe de Estado mexicano cancelou, na última hora, sua presença na visita à fábrica da AstraZeneca.
" Não se abusou (no México)... toda essa situação que ocorreu em vários países com a vacinação secreta. Isso é muito importante " disse López Obrador.
O presidente mexicano, apesar de seu país ocupar o terceiro lugar no ranking mundial de mortes pela Covid-19, mantém em torno de 60% de popularidade. Já Fernández está às voltas com uma crise econômica profunda, tensões na aliança de governo com a ala liderada por sua vice, Cristina Kirchner, e uma situação sanitária precária. Até agora, a Argentina recebeu poucas doses da vacina russa Sputnik e não chegou a vacinar sequer 2% da população.
" O escândalo da vacina vai aprofundar uma tendência de deterioração da imagem do governo. A queda começou nos primeiros meses de 2020, quando muitos perceberam que o governo não seria moderado, como prometeu na campanha " opina Ignácio Labaqui, professor da Universidade Católica Argentina (UCA).
Já o analista Carlos Fara acredita que a rápida reação do presidente, que pediu a renúncia do agora ex-ministro da Saúde, pode aliviar o impacto da crise.
" Muitas vezes, são mais importantes as reações, as demostrações de autoridade, do que a razão que provocou a crise " explica o analista.
anistia pede informações
Em Buenos Aires, o escândalo só cresce. Um empresário envolvido na compra da vacina Sputnik pediu que o ex-ministro da Saúde seja investigado por suposta associação ilícita. Segundo denúncia da dirigente opositora e ex-ministra da Segurança Patricia Bullrich, a lista de fura-filas inclui os sogros do presidente da Câmara, Sergio Massa. A ONG Anistia Internacional pediu informações ao governo para esclarecer como funciona o critério de vacinação no país.