Miércoles, 21 de Abril de 2021

Home office ditará lançamentos em 2021

BrasilO Globo, Brasil 7 de marzo de 2021

Na esteira do trabalho remoto imposto pela crise sanitária do coronavírus, há um recado explícito ...

Na esteira do trabalho remoto imposto pela crise sanitária do coronavírus, há um recado explícito para o mercado imobiliário: os modelos de imóveis diferenciados são o novo objeto de desejo dos cariocas. A procura por apartamentos de cobertura ou térreos, casas de vila e afins, os chamados "imóveis não tipo", cresceu 35% ao longo do ano passado, segundo a Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-RJ). Ao que tudo indica, já que é preciso ficar entre quatro paredes, que seja num espaço amplo, com direito a um escritório para chamar de seu, cozinha maior ou área de lazer interna.
" A demanda por esses imóveis explodiu. A relação com o trabalho mudou, e o home office veio para ficar. É natural que as pessoas façam esse movimento de procurar plantas que ofereçam mais conforto. Quem adotou esse estilo de vida dificilmente vai querer mudar de novo " avalia Claudio Hermolin, presidente da Ademi-RJ. A entidade estima que os novos lançamentos na cidade do Rio devem crescer de 20% a 25% este ano, seguindo a tendência de alta observada no ano passado.
Outros dois tipos de imóveis tiveram valorização ainda maior, segundo ele: as casas em condomínios nobres da Barra da Tijuca e entorno e as coberturas nos bairros da Zona Sul. Encontrar uma preciosidade dessas não é nada fácil. Em um prédio de dez andares, por exemplo, são 20 apartamentos comuns, em média, e apenas duas coberturas.
A Covid-19 mudou o estilo de vida das pessoas, avalia o vice-presidente do Secovi Rio, Leonardo Schneider. Agora, um único espaço tem que servir para o trabalho, a convivência familiar e o lazer. O resultado é que as construtoras já estão oferecendo casas e apartamentos mais amplos, com áreas próprias ou compartilhadas para trabalho, algum cantinho verde, cozinhas maiores e um lugar para brincadeiras e estudos das crianças.
" É um novo perfil. Os apartamentos já estão saindo da planta com essa proposta do home office. A oferta de rooftops (terraços) também cresceu, como podemos constatar em alguns lançamentos na Zona Sul. O hábito de fazer um puxadinho, revertendo o quarto de empregada em escritório, por exemplo, já está incorporado aos novos projetos nas zonas Sul e Norte e na Barra da Tijuca.
As plantas assimilaram esse novo padrão " e não foi por acaso. Na maioria das famílias, a necessidade de espaços mais reservados é uma demanda de várias pessoas ao mesmo tempo, como ressalta Marcelo Vasconcelos, presidente da Patrimóvel.
" Um casal com dois filhos adolescentes precisa, de fato, de quatro lugares para que todos possam trabalhar ou estudar com conforto. Tenho um cliente que precisou improvisar o escritório no closet, para ter a tranquilidade necessária para trabalhar.
Antes de a pandemia virar o mundo de ponta-cabeça, as pessoas trabalhavam fora e iam em casa apenas para dormir, praticamente. Agora a realidade é outra. Elas precisam de uma estrutura completa para trabalhar, não cabe mais o improviso. São hábitos que mudam e que levam o mercado a modificar suas estratégias. Essa tendência, na avaliação de Vasconcelos, despertou o interesse por um novo tipo de moradia com mais espaço, mesmo nos imóveis tipo padrão.
" As incorporadoras já perceberam que o consumidor quer imóveis mais espaçosos, porque o home office e o estudo híbrido chegaram com toda a força.