Hopi hari contrata empresas de seus executivos
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Às vésperas da assembleia do Hopi Hari, marcada para hoje, uma informação incomoda os credores: empresas que têm executivos do parque como sócios receberam quase R$ 1,9 milhão por serviços prestados ao Hopi Hari em apenas quatro meses.
Embora não sejam propriamente ilegais, os pagamentos, sustentam credores, violam as boas práticas, sobretudo no caso de uma recuperação judicial. Os valores também reforçam as suspeitas sobre possíveis desvios de recursos do parque, alvos de investigação em inquérito policial. Como mostrou a coluna Capital em dezembro, uma juíza do Trabalho levantou in loco indícios de que o Hopi Hari tenta contornar a recuperação judicial usando um CNPJ diferente para captar as receitas do parque.
‘Nada de irregular’
As novas informações aparecem em relatório operacional mensal e balancetes da recuperação judicial vistos pela coluna Capital.
Uma das empresas é a L Frois Serviços de Informática Ltda., que tem entre os sócios Alexandre Donizeti Rodrigues, diretor-presidente do Hopi Hari. A outra é a Strand Consultoria e Serviços Corporativos Eirele, que tem como sócio Maximilian Strand de Moraes, diretor financeiro do parque.
A terceira é a Adverge Midia e Tecnologia Digital, cuja dona é a Brooklyn International, sediada no exterior e que tem participação de 74% no parque. No Brasil, ela é representada pelo próprio Strand de Moraes.
Strand de Moraes, aliás, é irmão de Rafaela Strand, esposa de Nuno Vasconcellos. O empresário português costumava se apresentar como sócio do parque, mas, por razões ainda não esclarecidas, passou a negar qualquer relação com o Hopi Hari recentemente.
Procurado pela coluna, o Hopi Hari afirmou em nota que o administrador judicial, auditores, o Ministério Público e, "sobretudo, os credores estão informados sobre as receitas e despesas do parque, que são todas auditadas e aprovadas, levadas ao processo."
"Não há nada de irregular na administração das contas das empresas em recuperação judicial, pelos inúmeros pareceres emitidos e levados ao processo judicial. Os pagamentos das empresas Strand Consultoria e L Frois são resultantes da prestação de serviços ao parque. A Adverge Midia tem contrato antigo com o parque de serviços de mídia e publicidade", afirmou.
O Hopi Hari argumentou ainda que "há um grupo decididamente interessado em fragilizar a atual administração do parque com informações que não correspondem à verdade, uma vez que não tiveram o mínimo sucesso nas investidas judiciais (...) de não afastar a direção das recuperandas, por não existir qualquer indício de irregularidade."
O parque informou ainda ter lucrado R$ 12 milhões em 2021, apesar da pandemia.
Este texto foi originalmente publicado na coluna de negócios Capital, no site do GLOBO: blogs.oglobo.globo.com/capital